Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 5h30

A semana começou com duas notícias, digamos, curiosas envolvendo políticos e o esporte.

Primeiro veio a informação de que Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e recém-eleito deputado federal, enviou seu primeiro projeto de lei à Câmara dos Deputados. Andrés quer que o dia 1 de setembro passe a ser celebrado como o “Dia do Corinthians” em todo território nacional.

Ontem foi a vez do governador de Goiás, Marconi Perillo, ocupar o noticiário esportivo. Ele divulgou um documento no qual anunciou a intenção de trocar o nome do Autódromo Internacional Ayrton Senna para Ary Valadão. Ayrton dispensa apresentação. Ary Valadão é ex-governador de Goiás e aliado político de Perillo.

É desanimador constatar que o País, na situação difícil em que se encontra na economia, na política, na educação, na saúde, na segurança e na ética, tenha deputados e governadores preocupados com coisas tão tolas e inúteis.

Andrés não tem o menor pudor ao assinar um projeto totalmente desnecessário, que não traz benefício algum para a sociedade, só para agradar a sua base eleitoral.

Ele assume, logo de cara e com naturalidade, que só pensa em agradar os milhões e milhões de torcedores de seu clube. Seu objetivo é ganhar mais votos na próxima eleição, o que seria normal se o seu projeto melhorasse a vida dos habitantes de seu estado. Evidentemente, criar o dia de um time, de qualquer time, não traz benefício nenhum. É só um agrado para conquistar votos daqueles que, por ignorância, consideram isso importante. É a exploração da falta de educação, problema número 1 de um Brasil recheado de problemas.

O caso de Goiás é ainda mais incrível. Ao contrário de Andrés, Perillo é um político muito experiente. Entendo que ele queira agradar o aliado que o apoiou em tantas e tantas eleições, mas me admira que ele não tenha imaginado que a repercussão da sua proposta seria desastrosa.

Ayrton Senna é um ídolo mundial, tricampeão da Fórmula 1 e venerado por milhões de fãs.

Seu nome cabe muito bem em qualquer autódromo do planeta e pensar em trocá-lo pelo de qualquer outra pessoa é uma estupidez sem tamanho.

Isso para não falar que uma lei de 1999 proíbe que se dê o nome de pessoas vivas (Ary Valadão está com 93 anos) a obras públicas, caso do Autódromo Internacional de Goiás.

O esporte é um poderoso instrumento para a educação e inclusão social, mas no Brasil é muito usado para ganhar votos e apoio político. É triste, mas é a nossa realidade.