Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 5h05

Por Maria Teresa Costa

Rio Atibaia está  vazão de 13,2 m3/s, abaixo da média histórica para fevereiro, que é de 25,06 m3/s

Leandro Ferreira/ AAN

Rio Atibaia está vazão de 13,2 m3/s, abaixo da média histórica para fevereiro, que é de 25,06 m3/s

Sem chuvas significativas e com pouca água liberada para a região pelo Sistema Cantareira, o Rio Atibaia perdeu quase metade da sua vazão em dois dias e registrou nesta quarta-feira (25), em Campinas, 13,2 metros cúbicos por segundo (m3/s). O volume de água que está passando pela cidade é suficiente para garantir o abastecimento de 95% da cidade, mas está 36,4% abaixo da média histórica do mês que é de uma vazão de 25,06 m3/s.

 

Desde o início das chuvas em fevereiro, o principal manancial de Campinas vem recebendo descarga pequena de água do Cantareira, que nesta quarta-feira operou com 10,8% da capacidade, um aumento de 0,1 ponto percentual em relação a terça-feira. O Cantareira liberou no Rio Atibaia apenas 0,30 m3/s, o que significa que a vazão que chega a Campinas é resultado do esgoto despejado pelas cidades que ficam rio acima e da água dos afluentes.

 

Reposição continua

Depois de recuperar a segunda cota do volume morto, o Cantareira iniciou nesta quarta a reposição da primeira cota, de 182 bilhões de litros, que começou a ser bombeada em maio. O ritmo de recuperação dos reservatórios nesta semana está menor que na semana passada por conta da redução do volume de chuva nas barragens e nas áreas de nascentes dos mananciais represados.

 

Fevereiro está recebendo bom volume de chuva e que está 39,5% acima da média histórica para o mês todo. O sistema, que começou o mês em 5%, teve em fevereiro o mês mais chuvoso e com mais elevações desde o começo da crise, em janeiro de 2014. A alta desta quarta foi 22ª de fevereiro e a 20ª consecutiva, mas a situação ainda é crítica. A estação chuvosa está terminando e as represas têm que acumular água para enfrentar os meses mais secos.

 

Quadro ideal

 

Será preciso recuperar a primeira cota do volume morto e ainda receber mais água para poder haver alguma segurança hídrica para passar a próxima estiagem, que tem início no final de abril. Quando o sistema estiver operando em 29,2% terá início a reposição do volume útil. A Agência Nacional de Águas (ANA) defende uma utilização cuidadosa do Cantareira para poder chegar a final de abril com os reservatórios armazenando pelo menos 10% do volume útil, mas até agora não há perspectivas de que isso poderá ocorrer, dado o alto grau de incerteza em relação às chuvas em março e em abril.

 

Segundo estimativas da equipe técnica do Consórcio PCJ, se permanecer o regime atual de chuvas, as vazões de afluência e as retiradas de água do sistema, serão necessários 100 dias para recuperar todo o volume usado da reserva técnica e colocar o Cantareira, novamente, com saldo positivo no volume útil, quando a água é possível de ser captada por gravidade, sem a necessidade de bombeamento.

No entanto, a estiagem se iniciará na metade desse tempo, portanto, a não

recuperação da reserva técnica é um fato iminente.

 

Regras

 

As regras operativas definidas pelos gestores do sistema para fevereiro preveem que os reservatórios têm que ser manejados de forma a que o volume de água retirado das represas seja de até 7,2 milhões de m3. E para que a meta seja atingida, a região de Campinas teve a descarga reduzida de 2,5 m3/s para 2 m3/s nos rios Atibaia e Jaguari e para a Grande São Paulo a redução será de 16 m3/s para até 13,5 m3/s.

 

Nesta quarta-feira, os reservatórios do sistema receberam 25m3/s e liberaram 0,45 m3/s nos rios Jaguari e Atibaia e 9,40 m3/s foram enviados para abastecer 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo. O Atibaia recebeu 0,30 m3/s e o Jaguari, 0,15 m3/s.

Escrito por:

Maria Teresa Costa