Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 5h00

Por Sarah Brito

Espelho d´água de imóvel fechado serve como criadouro para o mosquito transmissor da dengue

Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Espelho d´água de imóvel fechado serve como criadouro para o mosquito transmissor da dengue

A Secretaria de Saúde de Campinas abriu, por meio de liminar da Justiça, mais de 200 residências abandonadas, fechadas ou negligenciadas pelo proprietário no ano passado para eliminar possíveis focos de criadouros de mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue. A liminar foi obtida em março de 2014 e a ação de vistoria iniciada em abril, auge da pior epidemia da doença já registrada na cidade, que contaminou mais de 43 mil pessoas.

A autorização judicial é usada de forma excepcional, e a Prefeitura ainda não abriu casas desabitadas este ano. Apesar disso, moradores de Campinas estão preocupados com possíveis criadouros em residências, devido ao armazenamento de água em galões e caixas d’água extra em meio à crise hídrica, para se prevenir de um possível racionamento.

 

Último balanço

 

Segundo último balanço divulgado pela Prefeitura, na primeira quinzena de fevereiro, Campinas já confirmou 211 casos de dengue em janeiro deste ano e outros 1.002 continuam em investigação. No ano passado, quando houve a epidemia histórica, o município registrou 262 deles em janeiro — quase o mesmo número deste ano. A Saúde informou que divulgará novo balanço no próximo mês.

O uso da liminar é uma última alternativa para as ações, informou a secretaria. O objetivo é entrar em contato com responsável, o que não permite uma ação imediata no local. De acordo com a decisão da Justiça, o agente de controle de vetor está liberado para executar todos os serviços necessários à erradicação dos possíveis criadouros. Se necessário, é permitido o arrombamento ou apoio da Guarda Municipal. Em caso de eventuais danos pelo ingresso forçado, a Prefeitura deve reparar o prejuízo.

 

Limpeza

Dados da Secretaria de Saúde mostram que em média 3 toneladas de entulho são recolhidas só nos mutirões de combate à dengue, por dia. Nos últimos dois anos foram retiradas 420 mil toneladas de entulhos que poderiam acumular água.

No Jardim Florence, região Noroeste de Campinas, uma das áreas mais contaminadas pela dengue no último ano, a preocupação da população continua. Com baldes e caixas extras para estocar água, moradores do bairro redobraram os cuidados com a água reservada e parada, um possível criadouro do mosquito transmissor da dengue.

 

Armazenamento

A dona de casa Maria Inês Alves, de 51 anos, armazena água da chuva em uma caixa externa, em seu quintal. Para evitar a proliferação do mosquito, ela buscou uma tela no Centro de Saúde do bairro para proteger o local do depósito de larvas. “Uso a água para molhar a horta e as plantas. Colocamos um cano para ela cair direto do telhado. Também economizei na conta de água”, disse. São 500 litros de água, e o excedente — quando chove muito — é armazenado em galões de 5 litros.

 

O marido, o aposentado David Alves, de 55 anos, disse que a dengue preocupa o bairro, mas que com cuidado e atenção aos focos, é possível evitá-la. “Ano passado, ninguém da minha família 'pegou'. Foi triste, escapamos pelo cuidado que tivemos”, disse.

 

Cuidados

A família de Sebastião Sartori, de 77 anos, e Gloria Sartori, de 70, também armazena água no quintal. Ela vem da chuva — também captada pela calha do telhado — e da máquina de lavar, que é reaproveitada para lavar o quintal. “É duro ficar sem água, cada pessoa tem que se precaver e não esquecer da dengue. Porque é pior depois”, disse. Eles mantêm os três galões, quatro baldes e uma caixa d’água de 500 litros tampados.

Segundo a coordenadora da Vigilância Ambiental de Campinas, Ivanilda Mendes, é preciso armazenar adequadamente, mantendo a água em um recipiente com vedação perfeita. “Precisa verificar antes se já não tem larva. Se tiver, jogar a água fora e lavar bem o recipiente. Também é possível colocar sal ou hipoclorito [água sanitária] nessa água”, explicou. Ela disse também que é importante fazer vistorias semanais para evitar criadouros, e lavar a borda interna. O risco é que o mosquito coloque o ovo nesse limite entre a água e a tampa.

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Sarah Brito