Publicado 01 de Março de 2015 - 5h06

Gianfranco Panda Beting, diretor de comunicação da Azul

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Gianfranco Panda Beting, diretor de comunicação da Azul

O Turismo publica a segunda de uma série de entrevistas com executivos e porta-vozes das companhias aéreas que passaram a operar no novo terminal de passageiros do Aeroporto de Viracopos. Gianfranco Panda Beting, diretor de comunicação da Azul, analisa o terminal do ponto de vista da empresa responsável pelo "renascimento" do aeroporto campineiro. No dia 1º de dezembro, há exatos três meses, a Azul iniciou suas operações internacionais com um voo para Fort Lauderdale. Atualmente, além do destino no Sul da Flórida (EUA) — para o qual já solicitou aumento na frequência —, a companhia aérea mantém operações de Viracopos para Miami e ainda este ano voará para Nova York.

 

A Azul também deverá expandir seus negócios no Brasil e fincar o pé na Europa. A empresa é citada pela imprensa portuguesa como uma das interessadas na compra de parte da TAP. O governo português, dono da aérea, pretende privatizar 61% da empresa para evitar sua insolvência, e se livrar de parte de uma dívida de 1 bilhão de euros. A operação inclui ainda o negócio de manutenção de aeronaves que a TAP mantém no Brasil. Além da Azul, estariam interessados na compra a espanhola Globalia, um consórcio liderado pelo empresário português Miguel Pais do Amaral, o antigo dono e presidente da Continental Airlines, Frank Lorenzo; e o grupo nacional de transportes Barraqueiro. Questionada pela reportagem, a Azul prefere não comentar o assunto.

Turismo - Após três meses desde o voo inaugural da Azul entre Campinas e Fort Lauderdale, como o senhor avalia a operação no Aeroporto de Viracopos?

Gianfranco Panda Beting - Recentemente, o terminal de Campinas foi eleito o melhor aeroporto do País pela Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República. Essa conquista foi possível graças ao envolvimento dos agentes públicos, da administração aeroportuária — Aeroportos Brasil e da Azul. Reconhecido durante décadas como um aeroporto cargueiro, Viracopos voltou a ser visto como um importante terminal de passageiros a partir da chegada da Azul Linhas Aéreas Brasileiras em dezembro de 2008. Fizemos de Campinas o nosso principal centro de distribuição de voos no País. O novo impulso no setor de transporte de passageiros levou o aeroporto a ocupar o posto no seleto grupo dos dez aeroportos que mais movimentam viajantes em todo o Brasil e agora também no mundo, com a inclusão dos voos internacionais da Azul para Orlando e Fort Lauderdale. Trabalhamos continuamente para tornar a experiência de voar em Viracopos cada vez melhor. E o resultado nos estimula a aperfeiçoar nossos serviços e assim tornar o terminal de Campinas a melhor opção para o cliente em suas viagens nacionais e internacionais. O aeroporto de Viracopos atende muito bem nossas necessidades e permite a Azul manter a qualidade de seus serviços também nas operações internacionais.

Qual a expectativa para 2015?

Em 2015, queremos ampliar o número de voos e destinos, tanto no doméstico quanto no internacional. A partir de 6 de maio teremos novos voos regulares de Campinas para Fort Lauderdale/Miami.

Como o senhor avalia a infraestrutura do aeroporto?

A infraestrutura de Viracopos melhorou nos últimos anos, tanto para os clientes, como para nossos tripulantes. Os investimentos tiveram impacto direto na qualidade de nossos serviços. O resultado é a satisfação de nossos clientes, que contam com facilidades para realizar conexões, acesso a internet wi-fi, rigor na inspeção de segurança, esteiras de bagagem etc.

Existem ainda pontos a serem melhorados no terminal?

Sim. Em alguns pontos o embarque ainda é muito distante do terminal e por isso é necessária a utilização dos ônibus para levá-los até a aeronave. A utilização de pontes de embarque, já disponíveis em alguns pontos no novo terminal, poderia ocorrer em todos os pontos.

O que é mais positivo no aeroporto?

O ponto positivo do terminal é que hoje ele é o maior centro de conexões de voos da América Latina. Isso porque a Azul conecta Campinas a 58 destinos com voos diretos, sendo dois deles internacionais. Com isso, a Azul conecta o País inteiro por meio do Aeroporto de Viracopos.

Existem planos da Azul voar para outros destinos este ano?

Sim. Estamos avaliando possibilidades. Nosso próximo destino será Divinópolis (MG). A previsão de início é 13 de abril.

Existem planos de aumentar as frequências atuais?

Sim. Além dos voos extras que colocamos durante a alta temporada, devemos aumentar a frequência para algumas cidades.

O passageiro que embarca em Viracopos é essencialmente do Interior Paulista ou também da Capital e de outros estados?

São clientes de todo o Brasil. Isso porque o terminal é um grande centro de conexões de voos da Azul e também porque a companhia disponibiliza, gratuitamente, ônibus ligando a capital paulista ao Interior.

Uma das reclamações das companhias aéreas estrangeiras que operam em Viracopos é o catering, que vem de Guarulhos. O catering já é realizado em Campinas?

Nosso catering vem de Guarulhos. Porém, estamos estudando novas opções de catering em Campinas, visando garantir mais agilidade em nosso atendimento. Estamos em negociação com novos fornecedores.

A sala VIP do aeroporto ainda não foi inaugurada. Para o senhor, esse tipo de serviço é um diferencial que é valorizado pela Azul?

Sim. Estamos estudando algumas opções para oferecer esse espaço mais reservado aos nossos clientes.

De que maneira a companhia vê o potencial da região?

A região de Campinas é um dos mais atraentes polos de investimento devido a grandes rodovias que facilitam a migração de empresas da Capital para o Interior do estado de São Paulo, a estradas bem traçadas e ao Aeroporto de Viracopos.

Com o dólar em alta, o senhor acredita que o interesse do brasileiro por voos internacionais continue em crescimento?

Sim, mesmo com o dólar em alta, a demanda continuará forte. O mercado de turismo entre o Brasil e os Estados Unidos é muito grande e esperamos continuar crescendo.

De que maneira a alta da moeda norte-americana afeta o preço das passagens?

Nossa meta é sempre oferecer tarifas competitivas, o que dá aos nossos clientes grandes opções de viagens.

Existe uma crença de que voos por Campinas são sempre mais caros do que por Guarulhos. Isso ocorre de fato?

Não acredito. As tarifas para todas as companhias aéreas e aeroportos varia com base em vários fatores.

A imprensa portuguesa tem veiculado que a Azul está interessada na compra da TAP. Existe algum interesse na aérea portuguesa?

Não vamos comentar.