Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 18h51

Por Agência Estado

 Em uma semana, um supermercado de Araçatuba deixou de vender cerca de 1 tonelada de carne de porco, que vem de Santa Catarina

Divulgação

Em uma semana, um supermercado de Araçatuba deixou de vender cerca de 1 tonelada de carne de porco, que vem de Santa Catarina

Atacadistas e supermercados do interior de São Paulo já enfrentam a falta de alimentos produzidos na região Sul do País. Produtos como batatas, cebolas, frutas, leite e carne suína estão em falta em supermercados e em cerealistas da região de Araçatuba, Bauru, São José do Rio Preto e Marília.

"A carne suína que importamos do Sul do País deixou de chegar faz uma semana, os estoques acabaram e os supermercados estão sem o produto", afirmou Carlos Fernando Felipe, vice-presidente da Rede Pas de Supermercados, que engloba 23 estabelecimentos na região Alta Noroeste do Estado.

O próprio estabelecimento de Felipe, o supermercado Rosa Felipe, em Araçatuba, está sem carne suína para comercializar aos seus clientes. Em uma semana, o supermercado deixou de vender cerca de 1 tonelada de carne de porco importada de Santa Catarina e do Paraná. Em Birigui, as unidades do Bandeirantes Supermercados enfrentaram problemas de abastecimento com batata e cebolas na manhã desta sexta-feira, 27.

Algumas redes ouvidas pela reportagem também relataram dificuldade de reposição, como a rede Muffato, do Paraná, que possui filial em Araçatuba. Em Bauru, a Rede Super Bom está colocando produtos similares para os que eram trazidos do Paraná e está usando o estoque de carne suína para atender a clientela.

"Deixamos de receber carne suína produzida no Sul do País. Por enquanto nossos estoques de carne suína ainda estão segurando, mas não sei até quando vão aguentar, possivelmente só até o início da semana que vem", disse o proprietário do Super Bom, Fernando Cabreira Fernandes.

Nos atacadistas a situação é bem pior. A atacadista Coal, com unidades em Ribeirão, Rio Preto, Araraquara, Franca e Uberlândia deixou de receber cerca 90% das 225 toneladas de batatas que traz diariamente da safra de batatas da região Sul do País. "Hoje tivemos de buscar batatas em Ribeirão Preto para atender 23 supermercados de rede de São José do Rio Preto", disse Rafael da Cunha Benagli.

"Estamos sem batata e cebola e não temos encontrado alternativas para repor esses produtos", afirmou Nilton César Raniel, de uma grande cerealista de Araçatuba, que está deixando de entregar 50 toneladas de batatas e cebolas desde terça-feira. Uma das carretas da Raniel está retida em Santa Catarina. "O motorista voltou de ônibus", afirmou.

O desabastecimento elevou os preços da batata, que subiu entre 40% e 50% nos atacadistas e nos supermercados. No atacado, o saco de 50 kg saltou de R$ 90,00 para R$ 150,00. "Estamos tentando buscar batatas em Minas Gerais, mas a chuva está atrapalhando", afirmou Nilton Raniel.

Na Companhia de Armazéns Gerais de Araçatuba, Rio Preto e Bauru, os produtos ainda não faltam porque muitos comerciantes estão comprando em outros Estados, especialmente Minas Gerais e no cinturão verde da Grande São Paulo, mas a previsão dos gerentes é de que se os bloqueios continuarem o desabastecimento será inevitável a partir da semana que vem.

Presidente Prudente

Durou apenas quatro horas o bloqueio dos caminhoneiros na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), hoje, em Presidente Prudente, no oeste paulista. "Graças a Deus!", reagiu um guarda rodoviário após a liberação da estrada. Ele negou qualquer pressão para que os caminhoneiros liberassem a rodovia: "Pressão? Intimidação? Isso não foi veiculado", garantiu, solicitando anonimato.

Outras três rodovias, no entanto, continuam com bloqueios: Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Pacaembu; Assis Chateaubriand (SP-425), em Parapuã; e Júlio Budiski (SP-501), em Irapuru. Pelo menos 500 caminhões estão parados no acostamento dessas estradas.

Os caminhoneiros são abordados e convidados a aderir ao protesto que já dura quatro dias no oeste de São Paulo. "Não intimidamos ninguém e não 'seguramos' ambulâncias, carros pequenos e caminhão com carga perecível", explicou o caminhoneiro Francisco Ventura, de 56 anos.

Depois de explicar que o movimento é de uma categoria e não de líderes, ele se queixou da situação dos caminhoneiros: "O caminhoneiro não ganha o suficiente para manter o caminhão, pois o frete não sobe há cinco anos, mas sobe o diesel e sobe o pedágio. O transporte de carga está falido", desabafou.

Fim de semana

O protesto vai continuar no fim de semana. "Estaremos nas estradas no sábado e no domingo. Não há data prevista para o fim do movimento", completou Ventura.

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Agência Estado