Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 15h37

Por France Press

A coalizão internacional que combate o grupo Estado Islâmico (EI) bombardeou nesta quinta-feira (26) posições dos jihadistas no noroeste da Síria, onde pelo menos 220 cristãos assírios foram sequestrados nos últimos três dias.

O ataque jihadistas fez com que mais de mil famílias assírias, totalizando 5mil pessoas, fugissem de suas casas para buscar refúgio nas cidades de Hasake e Qamichli, duas cidades do noroeste controladas pelas forças curdas e governamentais, segundo um líder assírio.

"Umas 200 famílias se refugiaram em Qamishli e serão alojadas em residências da cidade", declarou por telefone à AFP Jean Tolo, líder da organização assíria de ajuda e desenvolvimento nesta cidade.

"Estão desesperados, na miséria total, porque deixaram tudo para trás", afirmou.

Danny Jano, de 35 anos,  relatou à AFP por telefone que precisou fugir de pijama com sua esposa e filhas quando soube que os jihadistas estavam cercando a sua aldeia.

"Pelo menos 220 assírios foram sequestrados em 11 localidades pelo grupo Estado Islâmico nos últimos três dias na província de Hassake, nordeste da Síria, perto da fronteira com Iraque e Turquia", anunciou a ONG Observatório Sírio do Direitos Humanos (OSDH).

"Há negociações com o auxílio de mediadores de tribos árabes e de uma figura da comunidade assíria para obter a libertação dos reféns", destacou o OSDH nesta quinta-feira.

O EI controla 10 vilarejos cristãos da região de Tall Tamer, de onde os moradores fogem de maneira desesperada.

A ponte de Tall Tamer é importante para chegar à fronteira iraquiana a partir da província de Aleppo, destacou Osama Edward.

Quase 30.000 assírios, uma das comunidades convertidas ao cristianismo mais antigas, viviam na Síria, a maioria na região de Hasake, antes do início do conflito sírio em março de 2011.

Segundo o OSDH, nos combates dos últimos três dias morreram 14 combatentes curdos e três assírios, incluindo uma mulher, integrantes da Guarda de Jabur, região onde a comunidade está presente.

"O Estado Islâmico perde terreno e sequestrou os reféns para utilizá-los como escudos humanos", afirmou Osama Edward, diretor da rede assíria de direitos humanos, com sede na Suécia.

Ele acredita que o EI tentará trocar os reféns por prisioneiros jihadistas sob poder dos curdos.

O EI busca uma vingança da ofensiva curda na região de Hasake, apoiada pelos bombardeios da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, destacou a ONG.

O Conselho de Segurança da ONU condenou o sequestro de cristãos, o primeiro em grande escala na Síria.

"Estes crimes mostram novamente a brutalidade do EI, que é responsável por milhares de crimes e violações contra pessoas de qualquer religião, etnia e nacionalidade", afirmou o Conselho de Segurança, que pediu "libertação imediata e sem condições" de todas as pessoas sequestradas pelo EI, mas também por outros grupos islamitas como a Frente Al-Nosra, o braço sírio da Al-Qaeda.

As ações do EI, que incluem decapitações, são crimes contra a humanidade, segundo ONU, que acusa o grupo de impor o terror nos territórios que controla.

 

Campanha de apoio ao califado

 

O grupo sunita extremista, que sofreu várias derrotas nas últimas semanas no Iraque, iniciou uma "campanha internacional" de apoio ao "califado islâmico" proclamado em junho de 2014 por seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, nos territórios que controla na Síria e no Iraque.

Em uma mensagem para divulgar a "campanha", o Estado Islâmico citou os "lobos solitários" e fez uma ameaça particular contra os franceses.

"Pagarão por terem insultado o profeta Maomé", afirmou a mensagem, seis semanas depois dos atentados de Paris contra a revista satírica Charlie Hebdo.

O avanço do EI ofuscou o confronto entre as forças do governo de Bashar al-Assad, condenado por vários países ocidentais, e a rebelião, em uma guerra que vai entrar no quinto ano em março.

Neste contexto, o mediador da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, planeja viajar na sexta-feira para Damasco, onde discutirá sua proposta de congelar os combates entre rebeldes e as forças do regime durante seis semanas na cidade de Aleppo, segundo a imprensa síria.

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