Publicado 25 de Fevereiro de 2015 - 11h19

Por France Press

Os confrontos no leste da Ucrânia deixaram cinco mortos e 23 feridos nas últimas 24 horas

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Os confrontos no leste da Ucrânia deixaram cinco mortos e 23 feridos nas últimas 24 horas

O cessar-fogo parecia finalmente estar sendo respeitado no leste separatista pró-russo da Ucrânia após um aumento da pressão ocidental sobre a Rússia, acusada pelos Estados Unidos de "mentir" sobre seu papel no conflito que já causou 5,8 mil mortos em dez meses.

No terreno, o exército ucraniano relatou uma "redução significativa" dos ataques rebeldes e comemorou o fato de nenhum soldado ter sido morto nas últimas 24 horas, pela primeira vez desde a entrada em vigor de uma trégua em 15 de fevereiro.

O porta-voz militar ucraniano, Andrii Lysenko, enfatizou, porém, que o cessar-fogo não foi totalmente respeitado, denunciando a passagem de "um grande número de tanques, lançadores de foguetes e outros equipamentos" para a cidade costeira de Novoazovsk, controlada pelos rebeldes e a 30 km do porto estratégico de Mariupol.

O secretário de Estado americano, John Kerry, fez eco a essas declarações, dizendo que "até esta data, nem a Rússia nem as forças que ela apoia (...) têm cumprido os seus compromissos" previstos no acordo de paz de Minsk, assinado em 12 de fevereiro.

Na Ucrânia, muitos temem que Mariupol, a última grande cidade do leste rebelde controlada por Kiev, seja o próximo alvo dos separatistas pró-russos, que tomaram há uma semana a cidade estratégica de Debaltseve, apesar do cessar-fogo.

"É claro que um ataque é possível. As pessoas estão com medo", disse à AFP Anatoli, um aposentado de 59 anos, habitante do distrito de Mariupol, onde mais de 30 civis foram mortos nos bombardeios rebeldes de 24 de janeiro.

Os separatistas, por sua vez, exibiram nesta quarta-feira a vários jornalistas o que, segundo eles, é a prova de uma "retirada das armas pesadas": 14 canhões móveis de 122 mm que eram deslocados para uma posição afastada da frente de batalha.

Na saída da localidade de Obilne, 20 km ao sul de Donetsk, os jornalistas observaram uma coluna de 14 canhões rebocados e vários caminhões procedentes do oeste, onde fica a frente de batalha, que seguiam por estrada para Starobeshevo, ao sul.

"Aplicamos os acordos de Minsk", assinados com a mediação dos líderes francês, François Hollande, e alemã, Angela Merkel, e na presença do presidente russo, Vladimir Putin, que previam, entre outras coisas, a entrada em vigor de um cessar-fogo e a retirada das armas pesadas da frente de combate, afirmou à AFP Nikolaï, um comandante rebelde.

Os observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa informaram que não têm condições de confirmar nenhuma retirada de armamento da frente.

Guerra do gás 

Em Donetsk, reduto dos separatistas, os tiros praticamente cessaram, pela primeira vez em dez dias.

Quanto à questão energética, a tensão entre a Rússia e a Ucrânia aumentou desde que gigante do gás russa Gazprom começou na semana passada a abastecer diretamente as áreas sob controle rebelde, justificando que Kiev tinha deixado de fazê-lo.

Moscou estima que este fornecimento de gás faz parte do contrato concluído em outubro entre a Gazprom e o grupo Naftogaz, de modo que Kiev deve pagar. A companhia ucraniana se recusa a pagar, declarando não ter o controle sobre os volumes fornecidos, ou a sua utilização.

Segundo o presidente Vladimir Putin, a negativa de Kiev em fornecer gás às regiões separatistas do leste da Ucrânia se assemelha a um genocídio.

Ameaça de novas sanções

No plano diplomático, a pressão também aumentou contra a Rússia, acusada por Kiev e os ocidentais de armar os rebeldes pró-russos do leste e de mobilizar tropas na Ucrânia. Moscou nega qualquer envolvimento no conflito.

"A Rússia se engajou em um dos mais notáveis exercício evidente e extensivo de propaganda que eu já vi desde o auge da Guerra Fria", declarou John Kerry a legisladores americanos, afirmando que as autoridades russas "têm insistido em seus embustes - mentiras -, como queiram chamá-los, sobre suas atividades" na Ucrânia.

Ele não excluiu a adoção de novas sanções contra Moscou.

"Se o fracasso (dos acordos de Minsk) se confirmar, haverá consequências adicionais que irão aumentar a pressão sobre a economia russa, já enfraquecida", advertiu Kerry.

Quanto ao primeiro-ministro britânico David Cameron, ele mencionou a ideia de excluir a Rússia do sistema de pagamentos interbancários Swift, se Moscou continuar a "desmantelar" a Ucrânia.

Cameron também anunciou o envio de instrutores militares para aconselhar e treinar as tropas ucranianas.

Para o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, a adoção de novas sanções contra a Rússia "será levantada novamente a nível europeu" em caso de ataque separatista contra Mariupol.

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