Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 23h20

Colunista de Fórmula 1 - Julianne Cesaroli

Cedoc/RAC

Colunista de Fórmula 1 - Julianne Cesaroli

Última oportunidade de testar novidades no carro — e no motor — antes do início do campeonato de Fórmula 1, o treino final em Barcelona é aquele que costuma dar os sinais mais claros de como o ano vai começar. Afinal, em algum momento, todos vão querer fazer pelo menos uma simulação de corrida e de classificação com tudo o que têm de melhor — das peças ao acerto, que passa a amadurecer nessa fase final de preparação. E algumas respostas também começam a surgir.

 

A primeira delas é: o quanto os rivais conseguiram tirar do domínio da Mercedes? Sim, porque a temporada passada terminou com quase 0s6 de vantagem em classificação e, em um ano de poucas mudanças de regras, não é algo que vai desaparecer num passe de mágica.

 

Já a Ferrari, depois de fazer testes com menos combustível nas demais sessões, foca mais em simulações de corrida. Isso porque o diretor técnico James Allison declarou que ainda não está contente com a confiabilidade e a consistência do carro.

 

A Red Bull, por sua vez, admite que a dirigibilidade do motor Renault está longe de satisfazer, problema que já existia ano passado. Isso, combinado com a relativa falta de quilometragem, especialmente no primeiro teste, tem dificultado a avaliação da competitividade da equipe.

 

Quem está bem é a Williams. Felipe Massa e Valtteri Bottas têm motivos suficientes para se animar. Se o FW37 ainda não demonstrou poder lutar com as Mercedes, a velocidade — tanto em uma volta lançada, quanto em termos de velocidade máxima — é inegável. Resta, também, comprovar a consistência.

 

Seguindo com os brasileiros, Felipe Nasr parece ter na Sauber um carro com boa velocidade de reta e aerodinâmica ainda pouco desenvolvida. Isso explicaria o fato do carro ser o mais veloz entre os que usam o motor Ferrari e, ao mesmo tempo, pecar na consistência nas simulações de GP, como o próprio Nasr admitiu. De qualquer forma, com McLaren e Force India andando pouco nos testes, fica a expectativa real dos suíços voltarem à zona de pontuação depois de mais de um ano.

 

Mesmo sendo importante para todos, o teste desta semana tomou ares dramáticos para McLaren e Force India. A primeira completou o equivalente a cerca de 20% da quilometragem da Mercedes. E a Force India só conseguiu sair do zero com o carro de 2015 na última sexta-feira. Nem precisa dizer o quanto ambos estão crus em termos de conhecimento das reações do equipamento, acertos, rumos para o desenvolvimento.

 

Assim como acontece na ponta com a Mercedes, não é uma diferença que se tira da noite para o dia.