Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 9h00

Por Inaê Miranda

Guardas municipais abordaram prostitutas e moradores de rua durante a blitz

Giancarlo Giannelli/Especial para AAN

Guardas municipais abordaram prostitutas e moradores de rua durante a blitz

Um grupo de 14 pessoas, entre prostitutas, travestis e moradores de rua, foi abordado pela Guarda Municipal de Campinas na Praça Carlos Gomes, no Centro, após denúncia de tráfico de entorpecentes, no período da tarde. O patrulhamento ostensivo no local vem ocorrendo desde o início da semana, após relatos de que profissionais do sexo estariam intimidando os demais frequentadores a saírem dos pontos considerados "exclusivos" para o negócio, conforme foi mostrado em reportagem na última terça-feira (25). Nada foi encontrado com o grupo, que reclamou de abuso e truculência da Guarda Municipal.

A intervenção da Guarda foi por volta das 15h. Pelo menos três viaturas foram usadas na operação. Como havia denúncia de tráfico, foi feita revista corporal e nos pertences de cada um. Foi feita a identificação e alguns tinham passagem pela polícia, mas nenhum era considerado foragido. Também não foram encontradas drogas.

 

Limpar o espaço

 

Após a revista, eles foram orientados a limpar o espaço, retirar os papelões que estavam espalhados na grama e a deixarem o espaço. Alguns seguiram a orientação dos agentes, outros ficaram pelo local, aguardando um momento para retornar a praça.

A reportagem conseguiu ouvir alguns moradores de rua e profissionais do sexo, que relataram violência da Guarda Municipal durante a abordagem. "Trabalho na praça e pelo que eu sei prostituição não é crime. E eu fui agredida porque não aceitei ser enquadrada. Tenho o direito de estar na praça como qualquer outra pessoa. Estava trabalhando discretamente. Não estava pelada, nem mexendo com ninguém. Mesmo assim o policial jogou spray de pimenta no meu olho. Não estou nem conseguindo abrir direito. Para mim, isso é preconceito", afirmou uma profissional do sexo, que preferiu não se identificar.

 

Humilhação

Uma prostituta também relatou que foi humilhada com palavras. "Teve um que me chamou de velha. Que era para eu estar num asilo usando bengala. Foi bem agressivo. Abriu a minha bolsa, jogou tudo no chão", contou. Uma moradora de rua também afirmou que foi agredida durante a abordagem.

 

"Quem revistou a gente foi mulher. Elas foram educadas, mas os homens judiaram. Me beliscaram. Chegaram metendo o pé e eu estou grávida. Cataram um moleque pelo pescoço", afirmou. Tem que colocar câmera para ver o que fazem com a gente à noite" , disse outra moradora de rua. 

Outro lado

O patrulhamento na área, segundo a Secretaria de Segurança de Campinas, faz parte da rotina da GM. Apesar dos relatos, a pasta informou que não houve necessidade da utilização de recursos de contenção, já que a abordagem se deu de forma pacifica.

 

Ainda assim, segundo orientação da secretaria, caso alguém tenha se sentido lesado de alguma forma, pode recorrer À Corregedoria da GM para apuração dos fatos. A Secretaria de Segurança acrescentou que a Guarda Municipal trabalha de acordo com normas técnicas de segurança e uso progressivo da força quando necessário e pauta suas ações nos conceitos de respeito, cidadania e Direitos Humanos.

 

Luz do dia

A prostituição a luz do dia tem se tornado mais frequente em praças públicas da região central de Campinas. A migração de locais também é um fato registrado recentemente por moradores e comerciantes, conforme mostrou o Correio no domingo. Além disso, profissionais do sexo chegam a intimidar demais frequentadores a saírem dos pontos.

 

Uma reportagem na última terça-feira  mostrou o caso de três mulheres que se reuniram no gramado da praça para definir locais para a prática de Yoga e foram expulsas sob ameaça de agressão. Comerciantes ouvidos pela reportagem relataram aumento das prostitutas no espaço e diversos problemas, como brigas em disputa por território.

Escrito por:

Inaê Miranda