Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 15h57

Por Sheila Vieira

Funcionário de empresa especializada cuida de piscina: uso de materiais para manter água limpa

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Funcionário de empresa especializada cuida de piscina: uso de materiais para manter água limpa

Piscinas abandonadas, sem o tratamento com cloro em intervalos quinzenais se tornam um potencial criadouro do mosquito. Quem vai viajar precisa deixar o imóvel sob os cuidados de um parente, amigo ou vizinho para que essa pessoa faça a manutenção periódica das piscinas, alerta o médico epidemiologista André Ribas Freitas, coordenador-técnico do Programa Municipal de Controle da Dengue.

 

“Piscinas só começam a apresentar risco de desenvolvimento do mosquito após 20 dias sem receber o cloro”, alerta. O uso de pastilhas de ação lenta, segundo Freitas, é uma solução adequada para equipamentos de lazer com água que irão ficar vários dias sem tratamento.

 

A condição sanitária do imóvel é de responsabilidade do proprietário ou de quem administra o bem, como as imobiliárias. “Se o imóvel está fechado para ser alugado, a responsabilidade da manutenção é da administradora”, frisa o coordenador do Programa Municipal de Controle da Dengue. As queixas e denúncias referentes a possíveis criadouros devem ser encaminhadas ao canal de atendimento 156, que mensalmente recebe 50 queixas sobre criadouros.

 

Estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes, Construtores de Piscinas e Produtos Afins (Anapp) aponta a existência de 2 milhões de piscinas, com tamanho médio de 20 mil litros. Cada uma equivale a quatro caminhões-pipa de água.

 

O desafio em tempo de crise hídrica é manter esses locais de lazer em ordem e com a manutenção em dia. Muitos proprietários simplesmente abandonam as piscinas agora na época da crise ou erram fazendo o tratamento parcial da água, acreditando que o fato de não usarem o local dispensa a manutenção periódica, alerta Ronaldo Vieira, químico da Hidroazul, empresa fabricante de produtos para tratamento da água de piscinas.

 

O abandono também gera gastos excessivos com produtos para retomar os parâmetros químicos da água, diz o químico.

 

Outro problema desconhecido pela maior parte da população é que a presença do cloro garante que os ovos do mosquito Aedes aegypti não eclodam. “O cloro ativo ataca a estrutura dos ovos. Em dez minutos de reação os ovos do mosquito são completamente destruídos”, explica.

O grande problema é que muitas pessoas viajam e deixam a piscina sem tratamento por mais de dez dias. Uma maneira de garantir a eficiência do cloro por mais tempo é o uso associado de pastilhas que oferecem elevada concentração de cloro e baixa solubilidade, ou seja, o princípio ativo é liberado lentamente.

 

“Se usar a pastilha sem o cloro granulado, o efeito não será o mesmo. Ela tem a função de prolongar a vida útil do cloro, que naturalmente vai perdendo concentração ao reagir com a matéria orgânica, bactérias e a degradação causada pelo sol”.

 

A empresa trabalha com os produtos Pastilhas Premium ou Pastilha Multiação Hidroazul. Nos últimos dois meses a empresa registrou crescimento de 8% nas vendas de produtos para tratamento em piscinas, entre cloros, pastilhas e gel.

 

Outro alerta do químico da Hidroazul, empresa com 25 anos de mercado, é para a resistência das larvas, que se desenvolvem em locais com baixa concentração de cloro. Vieira ressalta que no estágio de larva o inseto é resistente e não morre com uma aplicação convencional de cloro. “É preciso triplicar a dosagem na chamada cloração de choque”, diz.

 

O problema é que além de triplicar o valor da manutenção, já que o cloro responde por 80% dos custos do tratamento periódico, o local de lazer fica impróprio para banhistas até que os níveis do produto cheguem aos parâmetros próprios para uso. Além das piscinas, a água de cisternas também precisa de cloro.

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Sheila Vieira