Publicado 30 de Dezembro de 2014 - 15h51

Caminhoneiros esperam há 15 horas para abastecer na Replan

Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Caminhoneiros esperam há 15 horas para abastecer na Replan

Uma pane no sistema da Petrobras, que atingiu diversas refinarias do País e impediu o abastecimento de gasolina a caminhões distribuidores, causou congestionamento e espera de 16 horas nos pátios da Refinaria de Paulínia (Replan). A unidade é a maior da estatal no Brasil — corresponde a 20% de todo o refino de petróleo brasileiro. No Interior de São Paulo, a refinaria atende 55% do mercado pelo Terminal da Petrobras Distribuidora, composto por plataformas de carregamento de caminhões-tanques.

Nesta terça-feira (30), o número de veículos estacionados em Paulínia chegou a cerca de 250. Os pátios ficaram lotados e, em alguns momentos, os caminhões parados formaram fila que chegou à rodovia Professor Zeferino Vaz, que dá acesso à refinaria.

 

Outros locais

A reportagem apurou que o problema ocorreu em outras refinarias do Estado de São Paulo, entre elas a Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá, na Grande São Paulo, e a Refinaria Henrique Lage (Revap), de São José dos Campos. Há informações de que o problema teria ocorrido em todo o País, mas a informação não foi confirmada oficialmente pela Petrobras.

 

Em Paulínia, a refinaria abastece, além do Interior paulista, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre (20%); Sul de Minas Gerais e Triângulo Mineiro (10%); Goiás, Brasília e Tocantins (15%). A empresa estatal foi procurada ontem, via assessoria de imprensa, por telefone e e-mail, mas não retornou o pedido de informação e posicionamento solicitados pela reportagem. Por volta de 17h, a base começou a liberar o abastecimento. Os caminhões de entregas e os que retiram mercadoria (do próprio cliente) tinham prioridade. Transferência de combustível entre bases não tinha previsão de normalização.

Reclamações

Os motoristas de caminhão esperaram no período embaixo de sol ou alojados em pequenos abrigos, com acesso a bebedouro de água e banheiro. No entanto, eles afirmaram que as condições são precárias e a empresa não fornecia informações sobre a dimensão do problema. O bebedor que há no local, por exemplo, estava com apenas “um fio” de água, segundo eles. O banheiro do local estaria sujo. Os caminhões ficam estacionados nas garagens.Se for preciso pernoitar, os motoristas dormem nos veículos. Há poucas lanchonetes ou restaurantes próximos à Replan.

 

Eles afirmaram que essa situação ocorre frequentemente, principalmente aos fins de semana e às sextas-feiras. “Ninguém fala nada, é uma caixa fechada. A gente fica de castigo. Eu vou para Presidente Prudente, são cerca de 18 horas de viagem, escalonada. E chega aqui é isso”, disse o motorista Márcio Flausino, de 48 anos. O caminhão dele suporta 62 mil litros de combustível. A carga de Flausino é uma transferência de combustível entre bases da Petrobras. Ele chegou nas primeiras horas da manhã no local para abastecer o veículo. “A princípio vai virar a noite, para tentar carregar na manhã do dia 31. O que revolta muito é a falta de estrutura. Não a espera”, disse.

 

Tudo parado

O motorista Aparecido Passoni, de 50 anos, aguardava desde as 5h para encher seu caminhão, de 15 mil litros. Ele trabalha para uma empresa que possui contrato de exclusividade com a Petrobras, e havia agendado horário no dia anterior.

 

“São 180 quilômetros de distância, três horas de viagem. O tempo que fico parado aqui eu não recebo. Se voltar sem nada, também não ganho. Se conseguir, recebo R$ 1,5 mil, que inclui ainda os gastos”, disse. Outros trabalhadores afirmaram que o problema é recorrente e causa prejuízo, pois afeta a carga horária. “O tempo que fico parado aqui eu não recebo. Se voltar sem nada, também não ganho”