Publicado 15 de Outubro de 2014 - 17h26

Por Yasmine Azevedo e Souza

ÍíYasmine Souza

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Foto: Edu Fortes

A Prefeitura de Sumaré e o Conselho Regional de Medicina (CRM) vão investigar a conduta do médico que diagnosticou uma paciente com falta de ocupação e chegou a escrever isso no prontuário dela, anteontem (14), no Centro Integrado de Saúde (CIS) de Nova Veneza. A dona de casa Thaynara de Oliveira Cruz, 19 anos, procurou a unidade porque estava com fortes dores de cabeça e variação na pressão arterial, mas nem chegou a ser examinada pelo profissional que só receitou um analgésico. “Ele perguntou se eu não sabia que era só tomar dipirona ou paracetamol”, afirmou Thaynara. A moça, que nem chegou a se sentar para o atendimento, insistiu e disse que estava se sentindo mal há dias. “Ele perguntou se eu trabalhava, mas respondi que só cuidava do meu filho. Foi quando ele escreveu falta de ocupação na ficha”, afirma.

A dona de casa ainda levou alguns minutos para entender o que estava escrito e só depois que saiu da sala pediu a ajuda para uma outra paciente que confirmou o diagnóstico. “Voltei na sala e perguntei o que era aquilo. Ele disse que era o que eu tinha: falta de ocupação e falta de ter o que fazer. Ele ainda tentou tirar a ficha da minha mão, mas não deixei”, conta. A jovem procurou os policiais que estavam na frente da unidade que a orientaram a procurar a delegacia. A Polícia Civil vai ouvir os envolvidos e apurar se houve crime. “Me senti humilhada. Estava passando mal, por isso procurei o posto, mas sai de lá pior”, afirma. A jovem, que ainda amamenta o filho de 11 meses e teve histórico de pressão alta durante a gravidez, afirmou que pretende mover uma ação por danos morais contra o médico. A reportagem esteve na unidade de saúde, mas não encontrou o profissional e nem a direção do CIS. Uma funcionária que preferiu não se identificar disse que o médico atende na unidade a pouco tempo.

A Prefeitura afirmou que já abriu um Processo Administrativo Disciplinar para apurar os fatos e que vai entrar em contato com a paciente para obter a ficha de atendimento, necessária para as investigações. O médico Eduardo Santos terá direito à defesa e só será afastado se as denúncias forem confirmadas. O CRM afirmou que já abriu uma sindicância para apurar os fatos e informou que não pode divulgar se há outros processos contra o médico em andamento devido ao sigilo. O processo pode levar de seis meses a dois anos e se for comprovada infração ética, um processo ético-profissional pode penalizá-lo com advertência e censura confidenciais, censura pública, suspensão por 30 dias ou cassação do direito de exercer a medicina.

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Yasmine Azevedo e Souza