Publicado 15 de Outubro de 2014 - 16h51

Por Alenita de Jesus

FOTOS DO JORNAL DE ITAPIRA DA FACHADA DA SANTA CASA, ONDE ALGUNS PACIENTES FORAM ATENDIDOS

Patrícia Penzin

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O surto de uma doença desconhecida que já atingiu 18 moradores de Itapira vem intrigando a pequena cidade localizada na região de Mogi Mirim. Os casos começaram a aparecer no dia 4 de outubro, quando 12 pessoas procuraram dois hospitais da cidade relatando sintomas como edema de língua, paralisia facial, taquicardia, sudorese, contraturas musculares e, em alguns casos, hipertensão arterial. Sem diagnóstico definido, a Secretaria de Saúde do município acionou o Centro de Controle de Intoxicações (CCI) da Unicamp para investigar o caso e descobrir a origem do problema.

Os pacientes, que foram atendidos em hospitais municipais, receberam um medicamento que trata os sintomas e foram liberados em seguida. Apenas duas vítimas ficaram internadas durante dois dias, mas passam bem. Os pacientes moram no bairro dos Prados, Vila Boa Esperança, Jardim Magali, Dela Rocha e os bairros do Machadinho e Macucos, na zona rural da cidade.

O assunto virou tema central em muitas rodas de conversa na cidade. Além da curiosidade de descobrir a doença misteriosa, os moradores querem saber se há risco para a população. "A gente acaba ficando preocupado mesmo porque não sabe o que é. Mas pelo que fiquei sabendo, a Unicamp está investigando", comenta o aposentado Antônio Moreira.

A Vigilância Epidemiológica informou que não encontrou correlação entre água ou alimentos ingeridos pelo grupo. Sem ter ideia da doença que acometeu 12 pessoas num único dia, o assunto foi discutido com o CCI, que teria descartado a hipótese de intoxicação por fator externo.

Segundo o relatório da Secretaria de Saúde, a avaliação clínica, epidemiológica e laboratorial dos pacientes descartou também uma doença infecciosa. Técnicos da Vigilância colheram amostras de água na residência de pacientes e encaminharam para o CCI. Foram colhidas ainda amostras de sangue e urina de alguns pacientes para submeter à análise.

Segundo a assessoria de imprensa da Unicamp, as amostras de água chegaram ontem ao CCI. Os testes serão conduzidos no Instituto de Química, em um equipamento chamado cromatógrafo específico para análise de água. Os resultados devem sair em um prazo de uma semana.

O mistério sobre o surto da doença é ainda maior porque uma análise preliminar da água, feita pelo Laboratório de Referência da Diretoria Regional de Saúde, não revelou anormalidades na amostra.

Enquanto o diagnóstico não é fechado, os moradores da cidade se questionam sobre o surto. “A gente fica preocupado sim porque não sabemos o que é e como se espalha”, comentou Vera Silva, que trabalha no centro da cidade.

O temor é ainda maior entre os moradores da região do bairro dos Prados, onde moram algumas pessoas que contraíram a doença. “Lá as pessoas estão bastante assustadas porque não se sabe o que é ou como a doença é transmitida”, afirmou Cássia Oliveira.

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Alenita de Jesus