Publicado 14 de Outubro de 2014 - 19h58

Luciana Félix

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Leandro

Campinas registrou ontem o dia mais quente dos últimos 26 anos, segundo medição do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri). A marca histórica foi de 37,8º C registrada às 14h50. Antes, o recorde era 37,6º C datado de setembro de 1988. Além do calor o tempo seco continuou na cidade. A Defesa Civil decretou ontem situação de alerta em virtude da baixa umidade relativa do ar. O índice atingiu 16,6% às 14h20h.

A previsão metereológica indica que o calor intenso continua nos próximos dias e há o risco de novos recordes de máxima. O final de semana também deverá ser bastante quente. Já as chuvas devem ocorrer apenas no início da próxima semana, mas sem intensidade.

Ontem, apesar da nebulosidade, causada pela passagem rápida de uma frente fria pelo Litoral, o calor foi forte. Em outubro do ano passado a média máxima foi de 28,4º C, já este ano os 14 dias de outubro já registraram média de 30º C - considerado aumento significativo por metereologistas. Por outro lado a mínima está com pouca variação em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2013 ficou em 15,6º C e este ano em 16,5º C.

“A Primavera tem a tendência de registrar dias mais quentes porque, ao contrário do Verão, não chove. Quando estamos no Verão sempre há uma chuva à tarde que acaba amenizando o calor e também acaba tendo mais nebulosidade. O que não acontece na Primavera”, explicou o pesquisador do Cepagri Jurandir Zullo Junior.

Ele disse que o forte calor dos últimos dias foi causado por uma onda de calor. “A massa de ar seco está muito intensa e faz com que a gente sinta esse calor, aliado a isso há a ausência de chuva. Essa massa não permite que outras, mais frias, entrem na região. Mas isso é normal para o mês de outrubro”, afirmou.

Ele adiantou que hoje deverá ocorrer rajadas de ventos frios. “Está previsto o início de ventos Sul que são mais gelados e podem ajudar a refrescar”, disse ele.

O aposentado Paulo Nogueira, de 74 anos, disse que combate o calor com sorvete e lugares arborizados. “Está insuportável. Costumo me encher de sorvete e vou para minha chácara”, afirmou. Já a relações públicas Tabatha Dias, de 34 anos, afirmou que anda com ar condicionado ligado no carro e procura sombras quando para no semáforo. “Não tem como não ligar e tentar escapar desse sol. O bom do sol é na praia ou piscina, pra quem trabalha é um horror, dá moleza, sono. É péssimo”, afirmou.

Cuidados

O pesquisador do Cepagri afirmou que a população deve ficar atenta a exposição ao sol, principalmente os adeptos de esporte ao ar livre. “Está muito quente e seco logo cedo. Hoje (ontem) às 9h já estávamos com umidade do ar em 31%. Para piorar as pessoas não percebem que podem estar desidratando porque o suor é evaporado muito rápido”.

A secretaria de Saúde recomendou que as pessoas tomem, cerca de dois litros de água ao dia, além de sucos naturais. No caso das crianças e dos idosos, os cuidadores devem fazer hidratação pró-ativa, estimulando a ingestão de líquidos. A secretaria também aconselhou que as atividades físicas ao ar livre sejam suspensas no período do sol mais quente, entre 10h e 16h, e que os ambientes recebam umidificação.

O hospital Mário Gatti, ontem, registrou aumento de 30% nos atendimentos do Pronto-Socorro Infantil por conta de problemas respiratórios causados pelo tempo seco. Em dias normais o hospital atende em média 200 crianças. Anteontem, o atendimento foi 50% superior a média diária.

Queimadas

A Prefeitura orientou que as pessoas não coloquem fogo em resíduos como folhas secas, pneus e outros objetos, seja nas ruas ou em terrenos dentro da cidade. A Defesa Civil alertou que essa pratica é, inclusive, proibida por lei. Em caso de incêndio, o cidadão deve entrar em contato com o Corpo de Bombeiros através do telefone 193. Ontem, funcionários da concessionária Autoban tentavam apagar um incêndio às margens da Rodovia dos Bandeirantes, em Campinas.