Publicado 14 de Outubro de 2014 - 18h50

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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Cerca de 530 mil pessoas em seis cidades estão enfrentando racionamento de água na região e pelo menos outras 240 mil em duas cidades – Americana e Indaiatuba - começam o dia sem saber se terão água nas torneiras, por causa da qualidade ruim dos rios, que tem levado as empresas de abastecimento a suspender o fornecimento sem aviso prévio. Campinas não tem uma estimativa de quantas pessoas estão sendo afetadas. O resultado desse quadro é a revolta da população que começa a ir para as ruas exigir providências: na noite de segunda-feira, moradores de Itu, que enfrentam racionamento desde fevereiro, bloquearam as rodovias Waldomiro Corre e Santos Dumont com pneus queimados e entulho e ontem a tarde,em Campinas, moradores do Jardim Santo Antonio, sem água desde sexta, fecharam a avenida Celso Belledoni.

A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) não tem uma estimativa de quantas pessoas estão enfrentando falta de água porque o problema atinge parcialmente cinco das regiões mais altas da cidade. Mas em Americana, que implantou o rodizio dos reservatórios, 220 mil pessoas estão acordando todos os dias sem saber se terão água. Em Indaiatuba, seis bairros com 20 mil habitantes, que estão nas áreas mais altas da cidade estão ficando sem água pelo mesmo problema de Campinas: a qualidade do rio está ruim. O superintendente do Departamento de Água e Esgoto, Nilson Alcides Gaspar, informou que a sujeira do rio obrigou a empresa a lavar pelo menos seis vezes ao dia os filtros, procedimento que era adotado antes por duas vezes ao dia. Cada lavagem exige parada na captação. “É preferível deixar a população algum tempo se água do que distribuir um produto de má qualidade”, disse.

A cidade de Salto iniciou o racionamento de água durante a noite, entre 21h e 6h, todos os dias, para que os reservatórios possam ser reabastecidos. O racionamento, que afeta 110 mil pessoas, foi adotado em virtude do prolongamento da estiagem e devido ao alto consumo de água nos últimos dias, motivado pelo calor mais intenso. O serviço de abastecimento informou que a vazão diminuiu em todos os mananciais, mas no Piraí, o principal da cidade, o volume de água atual é de um quarto do normal, o que levou à tomada de decisão pelo racionamento.

Em Saltinho, a população tem abastecimento durante 6 horas por dia, das 8h às 11h e das 16h às 19h, situação que será minimizada com a compra de água em Piracicaba, que foi autorizada pela Câmara Municipal na semana passada. O abastecimento será reforçado com a construção de uma adutora ligando as duas cidades.

Em Vinhedo, que é abastecida por 36 reservatórios, o fornecimento vem sendo interrompido toda vez que há aumento de consumo. A empresa de abastecimento, a Sanamento Básico Vinhedo (Sanebavi) está fazendo o monitoramento do consumo da população e cortando o fornecimento por três a quatro horas nas regiões onde há aumento de uso da água.

Em Valinhos, os 117 mil moradores enfrentam racionamento desde fevereiro. Os moradores estão com abastecimento interrompido das 10h às 4h do dia seguinte, duas vezes por semana, com exceção da região central, que terá o fornecimento de água cortado apenas aos domingos.Valinhos implantque incluem penalizaçãcom multa de R$ 336,00 dobrando no caso de reincidêàpessoas flagradas pelos fiscais molhando jardins e quintais, lavando calç, tanto residenciais quanto comerciais e lavagem de veíem residê.

Cosmópolis mantem esquema de racionamento desde fevereiro, com parada no fornecimento de água das 22h às 7h, intercalando diariamente as duas áreas em que a cidade foi dividida.

Em Itu, o abastecimento passou a ser interrompido à20 horas e retomado à4 horas. A medida vale para toda a cidade, de 155.611 habitantes, e sóserárevogada quando voltar a chover e os reservatóatingirem o nínormal.

A cidade de São Pedro saiu do racionamento no início do mês, quando a chuva aumentou os níveis dos mananciais e Santo Antôniode Posse, que vinha restringindo o fornecimento de água, conseguiu apoio de proprietários de represas particulares e iniciou a captação nesses mananciais, interrompendo o racionamento. A água está sendo retirada das fazendas Jequitibá, Sesmaria e Santo Antônio

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