Publicado 14 de Outubro de 2014 - 19h00

Por Milene

Milene Moreto

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

Defensor da causa animal, Feliciano Nahimy Filho (PEN) segue para o seu terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa. Ele obteve 188.898 votos nas urnas. O parlamentar quer encabeçar nos próximos quatro anos a implantação de hospitais públicos veterinários com a participação de prefeitos e do governo do Estado. Apesar de ter um histórico de legislações específicas sobre o tema, o deputado afirmou que defende a criação de comissões para tratar de problemas da Região Metropolitana de Campinas (RMC), como a crise hídrica, por exemplo, e aproveitou para sugerir a proposta aos seus colegas na Casa. Recentemente envolvido em denúncias de maus-tratos aos animais, o parlamentar afirmou que foi vítima de um “jogo” e de uma “vingança” e disse estar tranquilo em relação a sua defesa.

Nos próximos quatro anos, Feliciano afirmou que vai tratar da instalação do Hospital Veterinário Público, não apenas de animais doentes, mas também para realizar a castração e identificação de cães e gatos. Segundo o parlamentar, a população de cães e gatos subiu, será superior à de humanos em pouco tempo e é preciso ter uma ação não apenas para o tratamento, mas também de controle populacional. “Vamos trabalhar 50% de forma preventiva e 50% para castração. O serviço será oferecido prioritariamente para a população carente, mas a unidade não negará atendimento”, disse.

Feliciano afirmou que para a instalação da unidade, é preciso estabelecer uma parceria com os prefeitos para a doação de um prédio. “Com o recurso do Estado, a gente consegue equipar a unidade. A ideia é ter um hospital que atenda de forma regional, ou seja, podemos instalar um hospital em Campinas, por exemplo, e todas as cidades que ficam a 35 quilômetros de distância podem utilizar o serviço. No custeio a ideia é que o Estado e as prefeituras dividam as despesas”, disse.

Castração

Entre suas ações, Feliciano destaca o programa de castração, no qual viabiliza verba para promover mutirões nas cidades de São Paulo. O parlamentar, no entanto, afirmou que em sua principal base eleitoral, Campinas, ainda não conseguiu implementar a ideia. Já cheguei a conversar com vários prefeitos, mas ninguém se interessou. Durante a gestão do ex-prefeito Pedro Serafim (PDT) conseguiu R$ 1,7 milhão para o projeto, mas a falta de uma certidão da Prefeitura impediu o uso do dinheiro. Já conversei também com o prefeito Jonas Donizette (PSB) para ver se existe interesse em ter esse tipo de ação na cidade”, disse.

Debates

Apesar de ter a causa animal como sua principal bandeira, Feliciano afirmou que não se priva de outros debates dentro da Alesp e que é favorável à criação de uma comissão que possa tratar da crise hídrica, problema que afeta diretamente os moradores da RMC. “Eu cheguei a conversar com o governador (Geraldo Alckmin) sobre o assunto. Nós temos que fazer os reservatórios e ampliar o sistema. Também acho que o racionamento deveria ter sido feito em janeiro, quando a situação começou a ficar mais crítica”, disse.

Outro tema que o parlamentar quer debater na Alesp é a questão do lixo. Para ele, os municípios precisam investir em políticas de reciclagem, e o poder público deve fiscalizar os aterros para que não haja contaminação do solo e emissão de gás. “Estamos atrasados nesse processo de reciclagem”, disse.

Temático

A participação dos deputados estaduais são pontuais e para solucionar problemas em alguma determinada área, como comércio, indústria, causa animal, ou por regiões, como a de Campinas, São Paulo e Santos, por exemplo. Apesar de cada um ter a sua bandeira, Feliciano afirmou que as demandas dos 94 legisladores são altas e que é possível desenvolver trabalhos em grupo para auxiliar o Estado. “Eu vejo por mim, o meu tema, a causa animal tem muita demanda, eu não consigo atender 50%. A gente não consegue dar conta do próprio tempo ou da própria região. Se as demandas fossem menores, sobraria tempo. Eu percebo que os deputados são sufocados por suas demandas. Mas é possível montar essas comissões temáticas. Gostaria muito de discutir a crise hídrica, a questão do lixo. Acho ótimo que o MP embargou agora a segunda parte do volume morto”, disse.

Denúncias

O Ministério Público ajuizou há 10 dias uma ação contra Feliciano por danos ambientais e improbidade administrativa. Ele foi acusado de maus-tratos na ONG Unidade Protetora dos Animais (UPA). Em agosto do ano passado, o Setor de Proteção aos Animais e Meio Ambiente da Polícia Civil de Campinas (Sepama) encontrou cerca de 40 cães em condições de maus-tratos em um sítio usado como canil da UPA, no Jardim Califórnia. Além de fezes e sujeira, cinco filhotes mortos estavam acondicionados em um freezer. Os policiais fiscalizaram o local depois de obterem um mandado judicial e uma investigação que durou dois meses, após denúncias anônimas. A ação foi chefiada pela delegada Rosana Mortari, que na época respondia pelo setor, que foi fechado no ano passado.

Feliciano afirmou que foi vítima de uma vingança da delegada por ter recebido inúmeras denúncias contra ela. E que a ação não passou de uma armação. “Eu salvei milhares de animais ao longo de toda a minha vida”, disse.

Feliciano afirmou que foi prejudicado politicamente pela ação e chegou a perder votos em Campinas, mas que está tranquilo e vai provar que tudo não passou de uma armação.

Perfil

Feliciano Nahimy Filho (PEN)

Idade: 57 anos

Natural de Campinas

Graduado em economia, Feliciano Nahimy Filho (PEN), foi eleito em 2004 para o mandato de vereador em Campinas, tendo sido o vereador mais votado do município. Em 2006, elegeu-se deputado estadual com 43.643 votos e foi reeleito, em 2010, com 137.573 votos. Feliciano também chegou a disputar a Prefeitura de Campinas, em 2008.

Em seus mandatos na Alesp, o parlamentar aprovou a “Lei Feliciano” que proíbe a matança de cães e gatos nos canis municipais. Criou também a Lei Antitestes que proíbe o uso de animais em testes de produtos cosméticos, higiene pessoal, perfumes e seus componentes no Estado de São Paulo. A proposta ganhou visibilidade após ativistas terem resgatado cães da raça beagle no Instituto Royal, em São Roque, em 2013.

Escrito por:

Milene