Publicado 14 de Outubro de 2014 - 17h34

Por Sarah Brito Moretto

Foto: César

Vídeo: Shana

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Na manhã abafada de ontem, a fila de pessoas com galões vazios no acostamento de uma rodovia, a espera da vez para captar água de uma mina, mal parecia um cenário regularmente visto no Estado de São Paulo. Mas era a realidade de moradores da região noroeste de Campinas, que com o longo período de estiagem e a falta do recurso hídrico nas torneiras de casa foram em busca da água que brota da terra. A mina fica às margens da rodovia Miguel Melhado, que liga Vinhedo ao Aeroporto Internacional de Viracopos. É possível ver de longe a fila no acostamento de terra. O que distingue é justamente o azul piscina dos recipientes, que se intensificou nos últimos dias, quando a população de bairros como o Campo Belo, Jardim Santo Antônio e DICs ficaram sem água.

Famílias chegaram a percorrer 15 quilômetros para chegar ao local. Segundo as pessoas, a água da bica é limpa e não tem gosto, ao contrário da que estão recebendo nas torneiras, com muito gosto de cloro. A fonte é a única alternativa que encontraram, dizem. A reportagem do Correio Popular provou a água da mina, que é limpa e fresca. A água jorra ininterruptamente e a área está preservada.

“Venho buscar água desde sábado. Na sexta-feira a água acabou no Santo Antônio. Se a casa é no alto, não chega. Não tem água no banheiro, na cozinha, para tomar banho. É nossa única alternativa”, contou uma das mulheres da fila. O nome é Maria José Barbosa, dona de casa de 50 anos. Ela contou que não sabe dizer se a água é tratada ou se é potável. “Precisamos e viemos buscar. A água da torneira vem com gosto de cloro. E essa aqui da bica é pura. São 9 galões que trouxemos, para cinco pessoas. Dura um dia".

Ontem pela manhã, havia pelo menos 30 pessoas na fila. Segundo a população, à tarde, a fila chega a ter mais de 100 à espera de captar água. “Não temos água para beber. São cinco dias, você imagina. Conheço a água dessa mina há anos. É uma água boa, nunca vi alguém reclamar. Meu vizinho busca para beber", afirmou o funileiro Sérgio Lopes, de 50 anos.

O motorista João Carlos Pedroso, 33 anos, era o primeiro da fila ontem, e enchia mais de 10 galões de 10 litros de água. “É um pouco longe, 15 km dos DICS, mas meu ônibus passa por aqui e tô levando para a família inteira. Você se sujeita a isso. A Sanasa não informa quando a água vai chegar. É uma água para beber e fazer a comida, só isso".

A Prefeitura de Itupeva, por meio de assessoria de imprensa, não soube informar se a água é potável ou não. A (Sociedade de Abastecimento de Água e Esgoto (Sanasa) de Campinas informou que não tem conhecimento da mina e que a fiscalização fica a cargo da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). O órgão, por sua vez, informou que “não realiza análises da qualidade de água de bicas, minas e outras fontes similares”.

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Sarah Brito Moretto