Publicado 14 de Outubro de 2014 - 17h33

Por Sarah Brito Moretto

Foto: César

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Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) voltou ontem a receber pacientes, após ter suspenso os serviços de urgência e emergência do hospital na noite de segunda-feira devido a superlotação. Apesar de voltar o atendimento, a situação no Pronto-Socorro ainda causava desconforto nos pacientes, que relataram ao Correio Popular mal cheiro na unidade, pacientes recebendo soro em cadeiras e falta de materiais. Ontem à tarde, cerca de 50 pacientes estavam instalados em macas, quando o limite tolerável, segundo a direção, é de até 40. O HC informou que não houve falta de materiais na unidade.

Na segunda-feira, a unidade atuava com capacidade 70% acima de sua possibilidade e informou, por meio de nota, que estava “muito próxima do limite humano, da área física, de equipamentos e de recursos materiais, principalmente para os casos de emergência”. A superlotação da unidade ocorre dias após três unidades da rede municipal de saúde fecharem suas portas. A primeira foi o Pronto-Socorro do São José, que encerrou o atendimento na semana passada, e ficará em reforma por três meses. Os Centro de Saúde do Balão do Laranja e o Centro de Saúde Tancredo Neves, no Campos Elíseos, também informaram que suspenderam os atendimentos por uma semana devido a reformas necessárias.

“Está um caos. Está um cheiro insuportável. Tem um médico que desde domingo está aí, ele não vai embora para casa. Os funcionários estão sobrecarregados. Tem gente tudo misturada”, disse a dona de casa Isabel Cristina de Oliveira, de 57 anos. Segundo ele, uma paciente contou que estava há dois dias tomando soro na cadeira. O diagnóstico era de pedra nos rins. “Ontem também faltou a mangueirinha para colocar o soro. Está muito complicado”, disse.

A também dona de casa Andressa de Lima Sousa, de 20 anos, contou que o filho não pôde ficar internado hoje devido a situação do HC. “Está muito lotado. Não tinha lugar. Se voltar a ter febre, é preciso voltar com ele, porque não tem onde colocar a criança. Tem muita gente, muito calor. E tem que esperar muito tempo. Ontem cheguei às 14h e fui atendida às 18h", contou.

O HC informou ontem que os pacientes classificados como risco verde e azul, ou seja, casos menos graves, poderiam levar até quatro horas para serem atendidos. Além da superlotação, a unidade sofreu também um problema estrutural na rede de água e esgoto na área de emergência. Os dois banheiros do local foram atingidos e começaram a passar por consertos o que também compromete o atendimento e a área onde as macas ficam instaladas.

RETRANCA

A Secretaria de Saúde apresentou ontem as contas da pasta do 2ºquadrimestre do ano. Na prestação de contas, o secretário Cármino de Souza informou que dos R$ 662 milhões gastos com a Saúde até agora, neste ano, R$ 450 milhões são de recursos próprios e R$ 207 milhões são provenientes do governo federal. O Estado de São Paulo contribuiu com apenas R$ 5 milhões. A proposta é pedir alteração na alteração na sistemática de repasse de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para os municípios.O vereador Jorge Schneider (PTB) disse ontem que pretende iniciar o movimento junto a deputados federais. De acordo com ele, o atual sistema tem penalizado municípios maiores, como Campinas, que acolhem pacientes de cidades menores, mas não recebem pelo atendimento.

“O que acontece hoje é que as prefeituras alugam ônibus ao invés de construir hospitais. Fica mais fácil para elas mandarem seus doentes para centros maiores. É claro que Campinas precisa atender porque são vidas, mas existe muito prefeito folgado por aí”, disse.

O diretor do Fundo Municipal de Saúde, Reinaldo Antônio de Oliveira disse que a secretária quer ampliar a participação do Estado em convênios que possam auxiliar no custeio de hospitais como PUCC, Ouro Verde ou mesmo Mário Gatti.

Intertítulo - Mamografia

O secretário de Saúde afirmou durante a apresentação das contas que o número de exames de mamografia em Campinas estão abaixo da previsão. “Por uma série de razões, as mulheres não estão fazendo o exame na proporção que esperávamos”, afirmou. Em 2013, 98 morreram em decorrência da doença na cidade. O número só é menor que as mortes por doenças cardiovasculares.

O secretário disse temer que o número de óbitos maternos fique acima do teto previsto. “No ano passado foram oito e este ano, quando ainda estamos em outubro, esse número já chegou a sete”, afirmou. “A questão é que esse é o tipo do indicador que queríamos que ficasse em zero, ou elo menos próximo disso”, argumentou.

Cármino também chamou a atenção para o crescimento surpreendente dos casos de sífilis congênita, de 15 para 26. “Esse é o tipo de doença que era para estar extinta”, reclamou.

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Sarah Brito Moretto