Publicado 14 de Outubro de 2014 - 17h18

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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Com o retorno das chuvas no final do mês, a previsão da meteorologista da Climatempo, Bianca Lobo, é de que o Sistema Cantareira chegará em abril de 2015 operando com 27,5% da capacidade, em melhor situação do que estava em abril deste ano, quando operou com 10,7%. A recuperação, no entanto, não traz tranquilidade, porque entrar novamente no inverno com volume de apenas 27,5%, ainda é muito arriscado. O sistema operou ontem com apenas 4,5% da capacidade, utilizando exclusivamente a primeira cota do volume morto, que deve se esgotar por volta do dia 15. A captação da segunda cota do volume morto, no entanto, está proibida pela Justiça.

Segundo a meteorologista, nos próximos dois meses, novembro e dezembro, a chuva que vier será utilizada apenas para recuperar o volume da reserva técnica, o chamado volume morto. Apenas em janeiro o volume útil do sistema deverá começar a recuperar seu volume útil.

Dos 182,47 bilhões de litros de água da primeira cota do volume morto que começaram a ser bombeados em 15 de maio, 86,3% já foram consumidos, restando nos reservatórios apenas 24,8 bilhões. A Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) pediu autorização para retirar a segunda cota, de 106 bilhões de litros, para poder garantir o abastecimento da Grande São Paulo.

Na sexta-feira, a Sabesp encaminhou à agência, a programação de utilização da segunda reserva técnica das represas Jacareí, em Joanópolis e Atibainha em Nazaré Paulista, onde prevê retirar 19 m3/s este mês, e mensalmente, até abril, 18,5 m3/s.

Desde julho a Sabesp está autorizada a retirar 19,7 m3/s e as Bacias PCJ, 3 m3/s. A empresa informou que com a contribuição da população, que reduziu o consumo, associada a medidas operacionais, foi possível reduzir a retirada para os atuais 19,7 m3/s (a outorga da empresa é de 31 m3/s). Nesse período, outros sistemas passaram a atender 2,3 milhões de consumidores anteriormente abastecidos pelo Cantareira. No relatório elaborado pela Sabesp, a empresa demonstra que é possível garantir o abastecimento da população mesmo com uma vazão menor.

A Agência Nacional de Águas (ANA) está analisando o pedido da Sabesp e vai autorizar a retirada da segunda cota. O presidente da agência, Vicente Andreu, disse na sexta-feira em Campinas que a liberação da segunda cota será feita em partes, conforme as condições de chuva para o período. A decisão será conjunta dos gestores do sistema, a ANA e o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (Daee). “Não há alternativa de abastecimento e não somos favoráveis ao racionamento, mas a segunda cota terá que ser utiliza com parcimônia, como determinou a liminar judicial”, disse.

Ontem, o governo do Estado recorreu em Piracicaba e em São Paulo da liminar concedida na sexta-feira pelo juiz federal Miguel Florestano Neto, da 3ª Vara Federal em Piracicaba, em ação civil pública ambiental impetrada essa semana pelo Ministério Público do Estado e pela Procuradoria da República.

A liminar proíbe a captação da segunda cota do volume morto, mas admite que seu uso possa ocorrer caso estudos técnicos apontem para a impossibilidade de descumprimento da ordem, e desde que todas as cautelas necessárias à preservação da vida e do meio ambiente sejam adotadas.

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