Publicado 13 de Outubro de 2014 - 20h46

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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Depois de cinco dias adiando a liberação de mais água do Sistema Cantareira para a região de Campinas, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) não havia decidido, até as 21h de ontem, se permitiria a descarga de mais 1 metros cúbico por segundo (m3/s) de água do Sistema Cantareira no Rio Atibaia para socorrer Campinas. O aumento da vazão havia sido autorizado pelos gestores do sistema, Agência Nacional de Água (ANA) e Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) e deveria ter sido iniciado às 21h de quinta-feira, mas a autorização foi suspensa. O prefeito Jonas Donizette (PSB) passou o dia em contato com o governo do Estado, mas até as 21h não obteve uma resposta. Limeira também pediu aumento de 1 m3/s no Rio Jaguari. O Cantareira operou ontem com apenas 4,7% da capacidade, usando exclusivamente o volume morto.

O aumento da vazão, que elevará dos atuais 3 m3/s para 4m3/s o volume de água no rio, é essencial para ajudar a diluir poluentes, mas mesmo que seja liberado a partir de hoje, a nova água só chegará a Campinas em uma semana. Até lá, a cidade terá que viver com restrições na captação, porque a baixa vazão eleva a concentração de poluentes que consomem o oxigênio, impedindo o tratamento da água.

Depois de cinco dias adiando a liberação de mais água do Sistema Cantareira para a região de Campinas, o governo do Estado autorizou a descarga de mais 1 m3/s no Rio Atibaia, para tentar melhorar a vazão e a qualidade da água e permitir, assim, a captação. Com isso, o Atibaia passará a uma vazão de 4 m3/s, mas esse volume só chegará a Campinas em uma semana. Até lá, a cidade terá que viver com restrições na captação, porque a baixa vazão leva a concentração de poluentes que consomem o oxigênio, impedindo o tratamento da água. Limeira também pediu aumento de 1 m3/s no Rio Jaguari. O Cantareira operou ontem com apenas 4,7% da capacidade, usando exclusivamente o volume morto.

A Agência Nacional de Água e o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), gestores do Cantareira, haviam autorizado na quinta-feira o aumento da vazão para o Rio Atibaia. O Correio teve acesso a um e-mail do Daee à Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp), operadora do Cantareira, informando a decisão e autorizando a liberação de mais 1 m3/s a partir do reservatório Cachoeira na quinta-feira, a partir das 21h, mas até ontem isso não havia ocorrido na prática.

O governo se apegou a liminar concedida ao Ministério Público na sexta-feira e que definiu que as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) deveriam ter garantia minima de liberação de 3,75 m3/s, somadas as vazões nos rios Jaguari e Atibaia. Como o Cantareira está liberando 1 m3/s no Jaguari e 3 m3/s no Atibaia, o governo entendeu que estava atendendo acima da determinação da Justiça.

O superintendente do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), Alceu Semagarchi Jr, afirmou no início da tarde que estava consultando o departamento jurídico porque, embora o órgão gestor do Sistema Cantareira não tivesse sido notificado oficialmente da liminar concedida na sexta-feira, era preciso avaliar se o pedido de Campinas poderia ser atendido. “Os técnicos estão avaliando e acredito que será possível atender”, afirmou.

“Os 3,75 m3/s são o mínimo e isso não está resolvendo nossa situação. Campinas teve parada na captação, a cidade ficou desabastecida em vários locais e isso não pode ocorrer. Entendo as dificuldades causadas pela estiagem, mas Campinas não pode ser penalizada”, disse o prefeito Jonas Donizette (PSB), que ontem cobrou do governador Geraldo Alckmin (PSDB) o atendimento do pedido de Campinas.

O promotor Rodrigo Sanches Garcia, do Grupo de Atenção Especial do Meio Ambiente (Gaema), afirmou que a liminar é clara em relação a vazão. “O valor definido é o mínimo. Não há nada na liminar que impeça a liberação de mais água para a região”, afirmou.

O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu,disse no final da tarde que era favorável a liberação, porque essa é uma situação previsível diante do agravamento por conta da redução das vazões afluentes ajuzante. “É uma situação delicada porque tem que compatibilizar com as vazões para São Paulo, mas trata-se de uma emergência”, disse. Até o início da noite agência não havia recebido comunicação do Daee para uma tomada de decisão.

A promessa de liberação, segundo informou o presidente da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa),Arly de Lara Romêo, foi feita na quinta-feira pelo secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce. “Saímos da reunião com a promessa de que na quinta mesmo haveria o aumento da vazão, mas isso não ocorreu”, afirmou.

Na manhã de ontem, na audiência pública para discutir a construção de duas barragens na região, em Pedreira e Amparo, técnicos da Sanasa e Ministério Público discutiram que atitude tomar para que a região tivesse garantia de mais água. A opção foi a de tentar uma ação política – um pedido do prefeito direto ao governador.

Jonas falou duas vezes ontem com Alckmin, para reforçar a necessidade de mais água e marcou para hoje uma reunião com o governador, para tentar estabelecer um acordo que evite o desabastecimento de Campinas.

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Maria Teresa Costa