Publicado 12 de Outubro de 2014 - 14h47

Por Marita de Siqueira

Marita Siqueira

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Após ter reduzido a captação de água do Rio Atibaia, o que pode ter provocado o desabastecimento de pelo menos metade da cidade de Campinas entre sexta-feira e sábado, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A (Sanasa) informou que o sistema foi normalizado ontem e que passou a captar o suficiente para abastecer todos os moradores. Mesmo assim, em alguns bairros mais elevados, ainda houve registro de falta dágua. A estimativa é que os reservatórios voltem a ficar 100% cheios hoje.

A empresa pública retirou apenas 40% do necessário para abastecer os campineiros entre sexta-feira e sábado. Isso porque a má qualidade da água impediu que ela passasse por tratamento. A Sanasa é obrigada a respeitar o limite de aplicação de cloro estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar do sistema ter voltado a normalidade, a condição do Rio Atibaia permanece crítica e os moradores observam a piora a cada dia.

As principais áreas afetadas foram as do Campo Grande, Ouro Verde e Sousas. Foram registrados também falta de água parcial no Taquaral e Nova Campinas. O Rio Atibaia abastece 95% da cidade e o Rio Capivari, outros 5%. Os dois tiveram redução na captação no final de semana.

Em algumas regiões da cidade, a torneira seca durou até à tarde de ontem Esse foi o caso do instrutor de autoescola Reginaldo Rodrigues, de 44 anos, residente no bairro Padre Anchieta. A área ficou sem água das 5h de sexta às 5h de sábado. Durante à tarde, a água voltou a ser cortada das 16h e retornou apenas às 14h de ontem. “Abri o registro por volta das seis da manhã e saiu um pouco de água, bem fraquinho, e logo acabou. Só à tarde que encheu”, conta.

Lixo

No leito do Atibaia que passa pelo distrito de Sousas, objetos descartados de maneira irregular apareceram com a baixa da água, produzindo uma imagem preocupante de poluição.

Tanto que o médico Alberto Gallo Filho, de 65 anos, dono de sítio no local, arregaçou as mangas para retirar entulhos da margem. “Ontem (sábado) eu tirei nove pneus do rio. Ainda sobrou um, de caminhão, que era difícil a remoção. Esses pneus deveriam estar aí há anos. Tenho casa em Sousas há 60 anos e nunca vi o rio desse jeito, nem sabia que essas pedras existiam. Isso sem falar o cheiro horrível. A situação é complicada e triste”, disse.

O funileiro Claudemir Carlos Marcelo Cury, de 46 anos, lembrou da época em que pescar no Rio Atibaia era um programa de lazer desde a infância. “Vínhamos aqui para pescar. Ela muito bom. Veja agora como está. Não tem mais como. Apesar disso, ainda tenho esperança que volte ao seu fluxo normal”, afirma.

Já Antônio Carlos dos Santos, de 65 anos, presidente do Clube do Remo localizado a margem do rio, não cultiva tanta esperança. “Falam que vai chover tal dia e depois muda. Não dá para saber. Os peixes já estão agonizando”, diz.

Qualidade

Os poluentes e a baixa vazão fizeram com que houvesse a queda na qualidade da água e impedisse seu tratamento. Segundo informação da Sanasa, Campinas conseguiu a liberação de mais 1 m3/s do Sistema Cantareira para a calha do Atibaia, o que deve contribuir para melhorar a condição da água e do rio nos próximos dias. Até a tarde de ontem, a vazão do Rio Atibaia para Campinas era de 3,2 m3/s e do Sistema Cantareira de 4,9 m3/s.

RETRANCA

Campinas está prestes a decretar estado de emergência por causa da baixa umidade do ar. Sem previsão de chuva e com as altas temperaturas registradas nos últimos dias, o registrado ontem foi 12%. Abaixo deste índice, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decreta emergência.

Sábado o índice foi de 13% e ontem de 12,83%, segundo a Defesa Civil. De 12% a 20% de umidade relativa do ar configura estado de alerta. A expectativa é de que a umidade melhore na próxima semana. “Primavera tem as primeiras chuvas. Há ascendência de melhora para a próxima semana, quando aumentam as possibilidades de chuva”, diz o diretor da Defesa Civil, Sidnei Furtado.

A OMS orienta para, em estado de alerta, evitar fazer atividades físicas entre 11h e 15h, umidificar os ambientes, consumir água e protege-se do sol. Já se for decretada emergência, a prática de atividades físicas não é aconselhada entre 10h e 16h e pode ocorrer interrupção de atividades em recintos fechados, como, por exemplo, escolas.

Chuvas

Não há previsão de chuva até amanhã, de acordo com dados do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ainda conforme o instituto, as chuvas mais generalizadas para a região de Campinas são esperadas a partir do dia 18 e as temperaturas bastante elevadas, com máxima de 34 C, hoje, e 35C amanhã, e mínima de 17C em ambos os dias. “Trabalho sempre com três dias e até o momento não há perspectiva de chuva”, diz o pesquisador do Cepagri, Jurandir Zullo Junior.

O especialista explica também que estamos em uma fase de transição entre o período com e sem chuva, usando como referencial os anos anteriores. “Setembro e a primeira quinzena de outubro consideramos transição, pode ou não chover. As possibilidades aumentam na segunda quinzena, que é quando começa a temporada de chuvas”, afirma.

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Marita de Siqueira