Publicado 14 de Outubro de 2014 - 19h05

Demorou, mas finalmente o Teatro Municipal José de Castro Mendes, em Campinas, vai entrar, de fato, no século 21 e aceitar a forma mais comum de pagamento: cartões de débito e crédito. Apesar de todos os avanços tecnológicos e dos riscos de andar com dinheiro vivo na carteira, atualmente a casa de espetáculos não aceita pagamentos com cartões. Os ingressos são vendidos apenas em dinheiro, o que gera transtornos para os frequentadores, muitas vezes surpreendidos com a informação na bilheteria, uma vez que pagamentos com cartões são uma prática cada dia mais comum. Táxis, entregas em domicílio, bares, restaurantes e até quiosques e carrinhos de cachorro-quente, por exemplo, aceitam essa forma de pagamento.

“Já preparamos a licitação para contratar uma operadora de cartões. O processo está na Secretaria de Administração para análise e aprovação. Nos próximos dias, devemos publicar o edital da licitação”, informa a diretora-administrativa da Secretaria de Cultura, Nilda Rodrigues. “A licitação vai permitir compras de ingressos pela internet, pagamentos com cartão na bilheteria do teatro, além da instalação de alguns pontos de vendas pela cidade”, adianta Nilda.

Segundo ela, a dificuldade em trabalhar com cartões deve-se à complexidade na montagem da licitação. “Passamos mais de um mês montando o edital, consultando operadoras. O edital tem de ser abrangente e permitir que todas as operadoras participem. Mas é fundamental termos esse serviço. Hoje, não se justifica receber apenas em dinheiro. O cartão, atualmente, é a forma mais prática de pagamento”, afirma Nilda.

Na RMC

Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), a maioria das cidades que possuem teatros municipais também só aceita pagamentos em dinheiro. De cinco municípios consultados pela reportagem, apenas o Theatro Municipal Paulo Gracindo, de Paulínia, aceita cartões. Os teatros municipais de Vinhedo, Americana (em reforma), Jaguariúna e Santa Bárbara d’Oeste só trabalham com pagamento em dinheiro. “Poucos teatros públicos trabalham com cartões de débito e crédito porque a licitação é muito complicada”, explica Nilda. A expectativa é de que o edital da Secretaria de Cultura seja publicado até o final deste mês.

Frustração e indignação na bilheteria

“Só aceitamos dinheiro”. A frase ouvida na semana passada caiu como uma bomba na minha programação. Como assim, em pleno século 21, o Teatro Castro Mendes não aceita cartão de débito? Confesso que poderia ter me informado antes, mas jamais passou pela minha cabeça que a casa de espetáculos municipal iria na contramão da modernidade. Depois do advento do “dinheiro de plástico”, acredito que não só eu, mas muitas pessoas deixaram de se preocupar em andar com dinheiro na carteira. O resultado foi voltar para casa com um adolescente (neste caso, meu filho) de bico e frustrada por não ter assistido à apresentação de uma pessoa querida. Depois de me desculpar, no dia seguinte, ainda inconformada, levei minha indignação com a falta de modernidade na forma de pagamento ao Caderno C. Fico satisfeita ao saber que, a partir de agora, vou poder ouvir “dinheiro ou cartão?” na próxima ida ao teatro.