Publicado 13 de Outubro de 2014 - 19h05

Acometida pelo “mal” que atormenta os artistas — a falta de inspiração —, Tiê se refugiou na pequena cidade mineira de Esmeraldas durante as férias de final de ano. Lá, escreveu a canção Mínimo Maravilhoso, que desencadeou o processo criativo para seu novo álbum que leva o nome do local, Esmeraldas (Warner Music, R$ 29,90), descrito pela cantora como o mais rock and roll e pulsante da carreira — os outros dois CD lançados por Tiê foram Sweet Jardim (2009) e O Coração e A Coruja (2011). Produzido por Adriano Cintra e Jesse Harris, o disco foi gravado em São Paulo e Nova York e tem as participações especiais de David Byrne e Guilherme Arantes.Em Esmeraldas, Tiê aposta numa linguagem mais pop e incrementada de instrumentos, diferentemente dos trabalhos anteriores, marcados pela voz e violão. Desta vez, tem guitarra, baixo, craviola, percussão, piano, violino, violoncelo, caxixi, cajon, enfim, instrumentação ampla e sofisticada. A mudança de estilo é um reflexo do próprio amadurecimento pessoal da artista, que tem agora 34 anos, duas filhas e duas produtoras.Apesar das novidades, as canções continuam sendo autobiográficas, segundo a cantora. “É um disco autobiográfico como os outros dois, mas eu estou em outro momento. Um momento mais cheio de coisas, por isso é um disco mais tumultuado de informação. Eu abri a Rosa Flamengo, minha produtora, tenho duas filhas, tenho outra produtora que é de vídeo, então tem muito trabalho, durmo pouco, como pouco, estou mais agitada, mais velha e cheia de informação mesmo”, diz. Por falar em família, um retrato dela com o marido e as filhas ilustra o encarte.O disco, cujo lançamento oficial ocorre nas próximas quarta e quinta-feira, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, traz 12 faixas, sendo nove inéditas, mais as regravações de Gold Fish (que integra o primeiro EP de Tiê) e Depois de Um Dia de Sonho (gravada por André Whoong) e a versão da italiana La Notte, de Giuseppe Anastasi. A concepção, no entanto, não foi nada fácil. Tiê revela que sofria pressão da gravadora para produzir e a crise criativa dominava. “Estavam me pressionando bastante, mas eu disse que não tinha o que fazer, eu não tinha música nenhuma. Até sugeri fazer um disco de interpretações, eles não quiseram. Enfim, toparam esperar e rolou.”A situação era tão dramática que ela pediu a ajuda a David Byrne (que conhece desde 2011), quando almoçavam em Nova York, onde produzia o disco de sua baterista, Naná Rizzini. Na oportunidade, contou que queria muito fazer um disco, mas estava “seca”, precisando de inspiração e pediu a ajuda do ex-Talking Heads. Dias depois, Byrne lhe mandou duas composições. Uma delas, All Around You, foi escolhida para encerrar o álbum. A outra, ficou para um próximo álbum. O resto do trabalho foi concentrado na “roça”, como ela diz referindo-se a Esmeraldas. “Em dez dias eu fiz tudo. Foi numa tacada só”, conta.