Publicado 16 de Outubro de 2014 - 5h30

Pelo menos 220 mil pessoas em 110 bairros, o equivalente a 20% da população de Campinas, estão sendo afetadas pela falta de água desde a noite de sexta-feira, situação que deve se manter até amanhã, quando chegará na área de captação de água uma ajuda extra de Jundiaí, que mais uma vez interrompeu a transposição de 1,2m3/s do Atibaia para o Rio Jundiaí-Mirim. É a terceira vez neste mês que aquela cidade socorre Campinas. Essa água é essencial para aumentar a vazão e ajudar na diluição dos poluentes.

A ajuda do Sistema Cantareira, de mais 0,5m3/s, que começou a ser liberada na terça-feira, só chegará em uma semana. Ontem, o prefeito Jonas Donizette (PSB) disse que solicitou ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) a liberação de mais 0,5m3/s para o Rio Atibaia, reiterando o pedido inicial, que era de 1m3/s. A qualidade ruim da água, com alta concentração de poluentes, impede o tratamento e, por isso, estão ocorrendo as interrupções na captação. Ontem a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) reduziu ainda mais a captação, pelo agravamento da poluição do rio. A empresa captou 2,7m3/s, que consegue atender 68% da necessidade, uma vez que houve aumento de consumo, em decorrência do calor. Essa situação irá melhorar com a ajuda garantida de Jundiaí, afirmou Jonas.

Segundo a empresa, a interrupção no fornecimento atingiu um número menor de bairros ontem do que vinha ocorrendo desde a noite de sexta-feira. Pela manhã, parte do Jardim Eulina, parte do Profilurb e a região do Jardim Santo Antônio ficaram sem água, mas moradores de Sousas, Chapadão, Vila União, Vila Nova, Padre Anchieta, Santa Odila, Guarani e Santa Lúcia também relataram falta de água. A Sanasa admite que há ainda bairros na região do Campo Grande com dificuldades de abastecimento, mas nega que haja locais em que o desabastecimento tenha durado mais de 12 horas.

O Rio Atibaia registrou uma vazão média de 3,2m3/s, mas no final da tarde o volume baixou mais, chegando a 2,8m3/s no ponto de monitoramento de Valinhos, onde está a rede telemétrica do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee). A água praticamente não circula no rio.

Transtornos

A falta de água já está levando à suspensão de aulas em Campinas. A Escola Municipal de Educação Infantil Jardim Amapat, no Parque Tropical, tem ficado sem abastecimento na parte da tarde a semana toda. Segundo o vigilante Itamar Cardoso, de 50 anos, crianças de até seis anos frequentam a unidade. “Precisam usar banheiro, bebedouros, e não podem.”

A costureira Lourdes Fagundes Siqueira, do Jardim Santa Lúcia, disse que a falta de água se tornou um transtorno para os moradores, porque não são avisados previamente e não têm como se preparar. “Da mangueira só sai um filete de água. Na segunda-feira não recebemos nada”, disse. A comerciante Zilda Oliveira, da Vila União, disse que o bairro está sem água há dois dias e na semana passada não teve abastecimento nem sexta e nem domingo. “Tive que comprar copos descartáveis para servir os clientes, porque não há água para lavar os de vidro. Tem gente comprando água engarrafada para beber.”

Manobra

Para garantir que a população das áreas mais altas da cidade consiga receber água pelo menos em um período do dia, a Sanasa iniciou uma operação para alternar o enchimentos dos reservatórios enterrados e elevados. O diretor técnico da empresa, Marcos Antônio dos Santos, explicou que o rodízio de reservatórios é medida emergencial, que começou a ser adotada para suprir as situações mais críticas, que vinham submetendo moradores a mais de um dia sem água.

Campinas tem 25 reservatórios elevados e 40 semienterrado que somam uma capacidade de armazenamento de 123,4m3, volume capaz de garantir o abastecimento da cidade por oito horas. Emergencialmente, para que os reservatórios elevados consigam receber água, a Sanasa está fechando a entrada nos semienterrados, de forma a garantir pressão para chegar nos pontos mais altos. Quando os elevados estão cheios, são fechados, para permitir o enchimento dos semienterrados. “Assim, a gente garante que pelo menos em uma parte do dia, todos consigam receber água”, afirmou. (Colaborou Milene Moreto/AAN)

Vinhedo interrompe captação em rio poluído

Vinhedo interrompeu a captação de água no Rio Capivari por causa da alta concentração de poluentes, deixando a região da Vila Planalto parcialmente desabastecida, enquanto Holambra já estuda a possibilidade de implantar o racionamento diante da queda da vazão dos seus mananciais de abastecimento. Na região de Campinas, a crise hídrica agravada pela estiagem já atinge dez cidades, sete delas com racionamento. O Rio Capivari é um dos principais mananciais de Vinhedo, cidade que tem desde fevereiro um esquema de racionamento mais leve, porque corta o fornecimento nas regiões onde detecta que está havendo aumento de consumo. Como a interrupção da captação, a Saneamento Básico Vinhedo (Sanebavi) deixou de captar 330 metros cúbicos por hora, uma redução de 52% da água produzida na estação da Vila Planalto. “Só voltaremos a captar a água do Rio Capivari quando melhorar a qualidade. Para tentar amenizar essa situação, os locais mais altos poderão ser abastecidos por caminhões-pipa”, afirmou o superintendente da Sanebavi, Odair Seraphim. Em Holambra, que capta água no Lago do Holandês e no Rio Camanducaia, está em estado de atenção. O abastecimento não está afetado, mas a Administração estuda racionamento caso as chuvas não venham. Além de Vinhedo, estão em racionamento na região as cidades de Nova Odessa, Valinhos, Cosmópolis, Salto, Itu e Saltinho. Campinas, Americana e Indaiatuba estão restringindo captação. (MTC/AAN)

Nova Odessa vai tirar volume morto de represa

Em racionamento desde julho, Nova Odessa inicia entre hoje e amanhã a retirada do volume morto da represa Recanto 1, o único dos três reservatórios do sistema Recanto que ainda tem água. O nível da represa está a apenas 30cm da entrada da área de bombeamento. Para poder usar o volume morto, uma bomba de sucção foi colocada em um barco no meio do reservatório. O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Nova Odessa, Ricardo Ongaro, estima que o volume morto consiga abastecer a cidade por 50 dias, mantido o racionamento. O município tem seis reservatórios, todos com baixo volume de armazenamento. Nova Odessa foi divida em parte alta e parte baixa, e cada uma delas tem corte no fornecimento das 21h às 10h, em dias alternados. O rodízio, disse Ongaro, permite uma melhor distribuição e garantir que as pessoas que moram nas partes mais alta recebam a água com mais rapidez quando os registros da rede forem abertos. A cidade perde 34% da água tratada no caminho até a torneira do consumidor e a meta é reduzir para 20%. E trata 15 milhões de metros cúbicos de água por dia. Produtores rurais autorizaram a Prefeitura em agosto a captar água de um córrego em área particular, operação que está sendo feita com uma bomba que fica ligada durante 20 horas por dia e capta 15 litros por segundo. A água do córrego vinha sendo utilizada apenas na lavoura, mas houve o aval dos agricultores para que seja também direcionada ao abastecimento público. (MTC/AAN)

Sta. Bárbara dará desconto a quem economizar água

Santa Bárbara d’Oeste confirmou que vai dar desconto de 30% na conta de água aos consumidores que conseguirem economizar 20% de água. A iniciativa tem como objetivo tentar segurar o consumo em meio à estiagem recorde e evitar que a cidade tenha que adotar o racionamento no abastecimento público. De acordo com o Departamento de Água e Esgoto (Dae), houve queda drástica no nível das represas Areia Branca, São Luíz e Cillos, que estão operando com apenas 25% de suas capacidades. A represa Areia Branca, que era considerada um “oásis” de garantia de água entre as cidades da região nos primeiros meses do ano agora está seca, e sobraram poucas lagoas e muitas pedras e galhos à mostra, como revelou reportagem do Correio publicada ontem. O baixo volume de água da represa trouxe à tona situações inusitadas. Além da vegetação e pedras, uma estrada que foi submersa para a construção da represa e até a carcaça de um caminhão-pipa voltaram à superfície. “Temos monitorado diariamente as represas e acompanhado os níveis resultantes da demanda de captação. A alta temperatura e a estiagem prolongada resultam em grande demanda de água para o abastecimento público, além de perda pelo processo de evaporação. É fundamental que a população tenha a percepção de que se não reduzirmos o desperdício, e a estiagem se prolongar, teremos que adotar medidas de precaução para garantirmos o abastecimento”, afirmou o diretor do Dae, Rafael Piovezan. (MTC/AAN)