Publicado 16 de Outubro de 2014 - 5h30

A crise hídrica que se abate sobre o Estado de São Paulo assumiu proporções dramáticas nos últimos dias, impondo à população de vários municípios um regime de contenção de gastos para evitar ou retardar o iminente racionamento drástico de água. A expectativa de chuvas parece que se dilui com a seca inclemente e as previsões de mudanças no clima vêm cercadas mais de esperança do que certezas técnicas.

É preciso admitir que a conjuntura atual é excepcional, embora previsível, segundo técnicos do setor. A Região Sudeste enfrenta uma das mais prolongadas estiagens das últimas décadas, uma anomalia climática que não se verificava há 50 anos, colocando em xeque as providências que foram adotadas sem a previsão de um limite crítico para a falta de chuvas. O Sistema Cantareira está em processo de esgotamento, comprometendo o abastecimento das regiões metropolitanas de Campinas e da Capital, exigindo um acordo costurado em funções técnicas e políticas. A cada semana, renovam-se as inflexões para que sejam liberados volumes em conta-gotas para não chegar ao nível de desabastecimento geral.

Não bastasse a crise, as altas temperaturas registradas nos últimos dias levaram a um maior consumo da população, trazendo para o dia a dia das pessoas o drama maior da falta de água para necessidades elementares. O temido rodízio, negado até a consecução do período eleitoral no Estado, é uma realidade, quaisquer que sejam as justificativas apresentadas (Correio Popular, 15/10, A4 a A7). O quadro é desolador: grandes rios e pequenos cursos d’água apresentam os seus leitos secos, compondo uma paisagem inimaginável e destruidora, estarrecendo a sociedade, que se divide entre a busca pelos responsáveis pelo adiamento de providências preventivas e o desolamento pela natureza tão duramente atingida. Da preservação da flora e fauna de rios não se cogita, é pauta para se aferir os prejuízos quando a vazão dos rios estiver razoavelmente restabelecida.

A solução da crise não passa por ignorar as responsabilidades pela falta de ação que pudesse antecipar uma situação tecnicamente previsível. Mas antecipa a necessidade urgente de engajar a população em verdadeira cruzada de economia, ainda que com medidas radicais como multas e cortes de fornecimento. O que não é mais possível é elencar um rosário de desculpas e ficar olhando para o céu em busca de nuvens densas que possam dissipar a insegurança do abastecimento tão vital para a população e para a economia como um todo.