Publicado 13 de Outubro de 2014 - 5h30

Após ter reduzido 40% da captação de água do Rio Atibaia, entre sexta-feira e sábado da semana passada, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A (Sanasa) informou que o sistema foi normalizado ontem, e que passou a retirar do rio o suficiente para abastecer toda a população de Campinas. Apesar da medida, moradores de bairros mais elevados continuaram sem água. A estimativa da empresa é que o nível dos reservatórios atinja hoje os 100% de capacidade. De acordo com a Sanasa, a redução ocorreu pela impossibilidade de tratar a água, que estaria com alta concentração de poluentes e baixa porcentagem de oxigenação. A empresa é obrigada a respeitar o limite de aplicação de cloro estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de o sistema ter voltado à normalidade, a condição do Rio Atibaia permanece crítica e os moradores observam a piora a cada dia.As principais áreas afetadas foram as do Campo Grande, Ouro Verde e Sousas. Foram registrados também casos de falta de água parcial no Taquaral e na Nova Campinas. Moradores do Nossa Senhora Aparecida, que ficaram três dias sem água, arrecadaram ontem R$ 150,00 para pagar um caminhão-pipa. A dona de casa Lúcia Silva da Gama, 50 anos, disse que o cunhado, Florisvaldo Dias da Gama, 60 anos, tem sofrido. “Meu cunhado tem câncer e não temos água para lavar as sondas. Estamos há três dias sem tomar banho”, afirmouLixo

No leito do Atibaia, que passa pelo distrito de Sousas, objetos descartados de maneira irregular apareceram com a redução do nível da água, produzindo uma imagem preocupante de poluição. O médico Alberto Gallo Filho, de 65 anos, dono de um sítio no local, arregaçou as mangas para retirar entulhos da margem. “Ontem (sábado), tirei nove pneus do rio. Ainda sobrou um de caminhão, que era de difícil remoção. Esses pneus deveriam estar aí há anos. Tenho casa em Sousas há 60 anos e nunca vi o rio desse jeito, nem sabia que essas pedras existiam. Isso sem falar o cheiro horrível. A situação é complicada e triste”, lamentou.O funileiro Claudemir Carlos Marcelo Cury, 46 anos, lembrou da época em que pescar no Rio Atibaia era um programa de lazer desde a infância. “Vínhamos aqui pescar. Ela muito bom. Veja agora como está, não tem mais como. Apesar disso, ainda tenho esperança de que volte ao seu fluxo normal”, disse.

Baixa umidade do ar chega ao limite

Campinas está prestes a decretar estado de emergência por causa da baixa umidade do ar. Sem previsão de chuvas e com a alta temperatura que atingiu a cidade durante o final de semana, A cidade atingiu ontem a marca dos 12,83% de umidade, temperatura limite, de acordo com índice da Organização Mundial da Saúde (OMS), para que seja decretada emergência. No sábado, o índice foi de 13%. A expectativa é de que a umidade melhore. “Há ascendência de melhora para esta semana, quando aumentam as possibilidades de chuva”, afirmou o diretor da Defesa Civil, Sidnei Furtado. A OMS orienta que, em estado de alerta, deve-se evitar atividades físicas entre 11h e 15h; umidificar ambientes; consumir água e protege-se do sol. Quando o estado de emergência é decretado, a prática de atividades físicas não é aconselhada entre 10h e 16h, e pode ocorrer interrupção de atividades em recintos fechados, por exemplo, em escolas e academias.

Chuvas

Não há previsão de chuvas até amanhã, de acordo com dados do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a Agricultura (Cepagri), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo o instituto, as chuvas mais generalizadas para a região de Campinas são esperadas a partir do dia 18. A temperatura continua bastante elevada, com máxima de 34 graus, hoje, e 35 graus amanhã, com mínima de 17 graus em ambos os dias. “Trabalho com três dias e até o momento não há perspectiva de chuva”, disse o pesquisador do Cepagri, Jurandir Zullo Junior.

O especialista também explica que estamos em uma fase de transição entre o período com e sem chuva, usando como referencial os anos anteriores. "Setembro e a primeira quinzena de outubro consideramos transição, pode ou não chover. As possibilidades aumentam na segunda quinzena, que é quando começa a temporada de chuvas”, explicou. (MS/AAN)