Publicado 12 de Outubro de 2014 - 7h39

Por Rogério Verzignasse

Um programa de incentivo ao uso racional da água adotado pela rede pública de Ensino desde 2012 corta gastos e transforma o comportamento dos estudantes. Hoje, o consumo médio de água em escolas campineiras é 40% menor que o registrado no lançamento do projeto. Com recursos disponibilizados pelo Banco Mundial, foram realizadas intervenções estruturais importantes nos prédios. A equipe técnica substituiu torneiras, instalou válvulas de descarga duráveis e mais eficientes e detectou e reparou vazamentos na rede hidráulica. O Estado faz o repasse das verbas e o Município executa os serviços.

O Programa Estadual de Apoio à Recuperação das Águas (Reágua), gerenciado pela Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos, prioriza as ações que possam combater o desperdício nas bacias hidrográficas com escassez hídrica.

Em Campinas, o Reágua identifica o Projeto de Uso Racional da Água em Escolas Públicas. Pretende-se encerrar o ano com 200 estabelecimentos de ensino atendidos. São 157 municipais e 47 estaduais. A proposta engloba creches, escolas de Educação Infantil, ensinos Fundamental e Médio e centros de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Os cem estabelecimentos beneficiados na primeira fase do programa já receberam investimentos da ordem de R$ 2,4 milhões em reparos e trocas de peças. Até o final do ano, outros R$ 2,5 milhões serão investidos nas outras cem escolas. As unidades contempladas são aquelas que, no lançamento do programa, apresentavam índices elevados de consumo de água por aluno/dia.

Educação

Uma outra frente essencial do Reágua é a educação ambiental, que forma agentes multiplicadores que sensibilizam a comunidade escolar sobre o consumo responsável. E as ações de sensibilização — que já espalharam agentes por mais de 140 escolas campineiras — ficam a cargo dos técnicos da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa).

As palestras programadas acontecem no auditório do Centro de Conhecimento da Água (CCA), mantido pela Sanasa no Parque Jambeiro, ou em espaços públicos cedidos na região central. O programa é complementado com dinâmicas de grupo e visitas a estações de tratamento de água e de esgoto. “A educação ambiental é uma grande tecnologia social”, afirma a ambientalista Ana Lúcia Floriano, consultora ambiental da Sanasa.

O trabalho educativo também ocorre em um laboratório móvel. O público é apresentado a equipamentos que economizam água. Hoje estão disponíveis no mercado torneiras de fechamento automático e dispositivos que controlam o fluxo de água nas descargas e nos chuveiros.

Fiscalização on-line

O uso racional de água também ganhou, neste ano, um aliado importante. As escolas contempladas no programa passam a contar com recursos de telemetria. O controle remoto de medição permite a leitura on-line do consumo de água. O sistema — que pode ser acessado pelo próprio diretor da escola — denuncia, imediatamente, se a rede hidráulica do prédio tem algum defeito. Antes, o educador nem tinha acesso ao consumo do seu estabelecimento.

“Muitas vezes, a escola só descobria um vazamento na rede quando acabava a água do reservatório. Hoje, temos casos especiais de escolas em que o consumo mensal de água caiu em mais de 80%. Conseguimos mobilizar a comunidade escolar e otimizar os serviços de manutenção em cada estabelecimento”, afirma o engenheiro civil Maurício André Garcia, coordenador do Setor de Micromedição e Uso Racional da Água da Sanasa.

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Rogério Verzignasse