Publicado 12 de Outubro de 2014 - 5h30

Reportagem da revista IstoÉ deste final de semana detalha o desvio de dinheiro nos contratos da Petrobras, segundo a delação do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e também do doleiro Alberto Youssef. Nos áudios dos depoimentos que vieram a público na semana passada, PT, PMDB e PP foram legendas beneficiadas pelo desvio de dinheiro e colocam sob suspeição a campanha de 2010 da presidente Dilma Rousseff (PT).Um dos operadores dos desvios na Petrobras era, segundo os depoimentos, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. O ex-diretor de Serviços Renato Duque e Nestor Cerveró, ex-dirigente da Área Internacional da Petrobras, da cota do PMDB, também recebiam propina, de acordo com Paulo Roberto Costa. “As movimentações irregulares, informaram os depoentes, continuaram até 2012, quando Costa deixou a estatal, e pode ter contaminado a atual campanha de Dilma à reeleição”, diz a revista.Segundo a IstoÉ, “dos 3% da Diretoria de Abastecimento, 1% seria repassado para o PP e os 2% restantes para o PT. Isso me foi dito com toda a clareza”, afirmou Costa. “Outras diretorias também eram do PT. O comentário que pautava dentro da companhia era que em alguns casos os 3% ficavam para o PT”, acrescentou.O dinheiro desviado tinha origem no superfaturamento dos contratos da Petrobras. A taxa média do sobrepreço, além da margem de lucro, girava em torno de 3% e era Costa quem intermediava contatos políticos, gerenciava o pagamento de propina das empreiteiras e cuidava dos critérios da distribuição dos lucros aos partidos envolvidos. Segundo ele, o PT foi o maior beneficiário dos desvios e, no partido, João Vaccari era o responsável pela divisão dos recursos.De acordo com a IstoÉ, “A farra da base aliada na estatal se iniciou em 2007”, quando a Petrobras direcionou o orçamento para grandes projetos, como a construção de refinarias. “Mas a idealização e a montagem da rede de corrupção remetem a 2004, com a nomeação de Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento. Na cúpula da estatal, ele teve grande importância na ampliação do poder do cartel das empreiteiras e na geração de mais divisas para a ala de políticos da quadrilha. Por isso, contou com o lobby de fortes lideranças do cenário nacional para chegar ao posto, com o aval do Palácio do Planalto.”Em seu depoimento, Youssef contou que políticos trancaram a pauta do Congresso por 90 dias para pressionar o presidente Lula a nomear Costa para a Diretoria de Abastecimento e Lula cedeu. (Da Agência Estado)

No Recife, Aécio assume demandas de Marina

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, participou ontem de um ato político em Recife, ao lado dos filhos de Eduardo Campos, João, Pedro e Maria Eduarda. O tucano reuniu lideranças dos movimentos sociais pernambucanos e dirigentes do PSB para anunciar trechos de seus compromisso para o segundo turno que contemplam as exigências feitas por Marina Silva para apoiá-lo. “O governo Dilma tem sido negligente na questão da demarcação das terras indígenas”, disse o candidato do PSDB. Este foi um dos temas colocados na mesa de negociação pela presidenciável do PSB. Aécio também prometeu dar “a devida importância” à questão das mudanças climáticas, defendeu a economia de baixo carbono e reiterou seu compromisso com os programas de transferência de renda. “Vamos transformar o Bolsa Família em política de Estado e não de governo”, disse Aécio.Em seu discurso, o tucano exaltou Marina Silva diversas vezes e prometeu dar continuidade ao legado do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no dia 13 de agosto, no primeiro turno da corrida presidencial. “Me sinto responsável para levar para cada canto do País o legado e o sonho de Eduardo Campos”, disse o tucano. Marina foi chamada de “honrada e digna brasileira”.O presidenciável disse ainda que o encontro foi “o mais importante desta campanha” até aqui. Ainda ontem, o candidato participou de outra atividade política na capital pernambucana, um encontro com a coligação que elegeu Paulo Câmara (PSB) e depois almoçou com Renata, viúva de Eduardo Campos. Em todas as atividades, o tucano participou ao lado do governador eleito Paulo Câmara (PSB), do prefeito de Recife, Geraldo Júnior (PSB), do senador eleito pelo PSB Fernando Bezerra Coelho, ex-ministro da Integração Nacional de Dilma, e do vice-governador Raul Henry (PMDB), partido que está na coligação de Dilma. Também participaram das atividades, o senador peemedebista Jarbas Vasconcelos e filha mais velha de Aécio, Gabriela. (Da Agência Estado)

Dilma usa Saúde para atacar adversário em MG

Em visita ontem a Contagem, em Minas Gerais, a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, criticou o adversário deste segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto, Aécio Neves (PSDB). Em entrevista coletiva, ela colocou em xeque a gestão de Aécio (que foi governador por dois mandatos consecutivos em Minas Gerais) na área da Saúde: “Qual é a credibilidade do meu adversário (Aécio) quando diz que vai investir em Saúde? Se quando pôde, ele não fez”, questionou.Num contraponto às críticas ao adversário, Dilma citou algumas das principais bandeiras de seu governo, como o Programa Mais Médicos e a ampliação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). “Me espanta que um Estado como Minas Gerais não tenha tanto SAMU (segundo seus dados, a cobertura deste serviço no Estado é de apenas 28%), a mim estarrece este fato”, criticou.Outra crítica ao candidatro tucano foi quando comentou sobre a distribuição gratuita de remédios, acusando o presidenciável do PSDB de ignorar o assunto. “Apesar do candidato adversário ignorar o assunto, hoje somos dos poucos países que têm acesso ao remédio gratuito”, disse.Dilma admitiu que, apesar dos avanços em sua gestão, há ainda muito o que fazer na área da Saúde, numa referência ao desejo de mais de 60% do eleitorado que pede mudanças. “Eu sei que tem muita coisa a fazer na Saúde, eu sei disso, mas tenho orgulho de falar: quando pudemos, nós fizemos”, afirmou.A presidente disse que é o próprio Tribunal de Contas de Minas Gerais quem fala que os tucanos “não investiram o mínimo em Saúde”. E lembrou que uma das coisas significativas feitas pelo governo petista foi justamente o SAMU, “que atende mais de 150 milhões de brasileiros”. E continuou: “Queremos mudar essa realidade mineira no SAMU, agora em parceria com o governador eleito Fernando Pimentel", argumentou. (Da Agência Estado)