Publicado 12 de Outubro de 2014 - 5h30

As denúncias da existência de uma quadrilha corrupta que tomou de assalto a Petrobras durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff representam um quadro de total descontrole e impunidade, que afronta a sociedade brasileira. Quanto mais altos os clamores por moralidade e punição aos responsáveis, maior parece a impunidade daqueles que se aboletaram no poder e continuam a aperfeiçoar os esquemas de desvio de verbas e achaques contra empreiteiras que cedem à corrupção para manter seus contratos.

A gravidade das acusações do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youseff, de que 3% de propina sobre todos os contratos assinados pela Petrobras eram destinados ao Partido dos Trabalhadores e, em menor escala, beneficiavam seus aliados PMDB e PP, dá uma dimensão ao escândalo que faz parecer o mensalão travessura de crianças. É acintosa a forma como o PT se apoderou da máquina pública para financiar seus projetos sombrios de poder e enriquecer seus provedores. Um verdadeiro crime de lesa-pátria.

Chega a ser sufocante a sensação de desamparo e indignação que toma conta do povo brasileiro, diante da inesgotável capacidade dos políticos de se atirarem à ladroagem e apropriação do setor público, com tamanha desfaçatez e arrogância. Ninguém mais aguenta tanta corrupção e desvirtuamento da República, no balcão de negociatas e falcatruas em que se converteu a maioria dos partidos políticos.

O cinismo do ex-presidente Lula, de se dizer “de saco cheio” com tantas denúncias envolvendo seus apaniguados, revela não apenas a maneira chula de se manifestar que não cabe a alguém que se pretende um estadista, mas a insinuação de que, mais uma vez, vai se declarar alheio ao que acontece, sem saber de nada, uma forma de defesa que já criou escola entre os petistas pegos com a mão na botija.

Desta vez, a Justiça Federal está indo fundo no escândalo e, espera-se, as consequências serão as mais graves. Lamentável que a maior empresa brasileira, que por décadas se constituiu modelo de competência e competitividade, orgulho do País, esteja aparelhada a serviço de um grupo que não passa de criminosos, totalmente sem escrúpulos, ladrões da esperança, a caminho do cadafalso da execração pública. Ainda pior imaginar que o escândalo da Petrobras possa ser apenas a ponta de um imenso iceberg que por anos vem solapando a economia brasileira e ameaçando a estabilidade institucional que deve ser preservada com a aplicação de justiça severa e pronta.