Publicado 16 de Outubro de 2014 - 5h30

Dunga insiste que Paulo Henrique Ganso ainda não merece espaço na Seleção Brasileira. O meia, porém, parece disposto a mostrar o contrário. Ontem, fez uma pintura de gol em Talcahuano, no Chile, foi decisivo em outro e comandou o São Paulo na vitória por 3 a 2 contra o Huachipato, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana, ajudando a classificar o time para as quartas — na ida, o Tricolor havia vencido por 1 a 0. Tudo isso com um jogador a menos a maior parte do tempo.

Agora, o São Paulo terá pela frente o Emelec, que ontem passou pelo Goiás nos pênaltis. Denilson, expulso injustamente no primeiro tempo, não joga a primeira partida, e Luis Fabiano cumpre suspensão na ida e na volta por pena imposta pela Conmebol.

Neste sábado, pelo Campeonato Brasileiro, o São Paulo encara o Bahia, no Morumbi, bem cansado. Afinal, jogou no Chile por mais de 50 minutos com um jogador a menos. Alexandre Pato saiu lesionado no primeiro tempo e Paulo Henrique Ganso deixou o campo exausto na etapa final. Kaká e Souza, que estavam com a Seleção Brasileira, devem voltar.

O jogo

Precisando vencer depois de perder no Morumbi, o Huachipato resolveu se arriscar desde o início, ainda que isso significasse espaço para o São Paulo contra-atacar. Em nove minutos, o placar estava aberto. Após tabela entre Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato, o meia deixou o atacante na cara do gol. Jimenéz defendeu, mas Michel Bastos, livre, balançou a rede no rebote.

O gol obrigava o Huachipato a fazer três, o que lançou os chilenos ainda mais ao ataque. E uma desatenção da defesa do Tricolor permitiu o empate. Espinoza ajeitou de cabeça e Vilches fez, aos 20’.

A noite, porém, era de Ganso e, consequentemente, do São Paulo. Após ataque envolvente aos 22’, com vistosa troca de passes, Alan Kardec levantou e o meia bateu com o lado do pé, de chapa, da entrada da área, sem deixar a bola cair no chão. Craque, Ganso colocou ela no canto direito para fazer um dos gols mais bonitos da temporada.

Enquanto Ganso jogava a favor, Antonio Arias trabalhava contra. O árbitro paraguaio chegou à sua incrível quarta expulsão de um são-paulino em menos de dois anos ao dar o segundo cartão amarelo para Denilson em uma jogada de meio de campo que passou longe de ser falta.

Com um a menos, o São Paulo teve que se virar. Já exausto fisicamente, levou o segundo, aos 42’, com Sagal. No minuto seguinte, Rogério Ceni salvou chute do mesmo atacante. A bola saiu para escanteio e, após a cobrança, o time brasileiro saiu em contra-ataque matador. Substituto de Ganso, Boschilia resolveu chutando no cantinho de Jiménez. (Da Agência Estado)

‘Nosso time foi guerreiro’, diz craque do jogo

A classificação do São Paulo foi conquistada não apenas em função da técnica de Ganso. O Tricolor também teve que lutar muito em campo para superar o fato de jogar com um a menos durante a maior parte da partida depois da expulsão de Denilson. E Ganso destacou a entrega coletiva da equipe para buscar o resultado e a classificação.

"Nosso time foi guerreiro porque sofremos bastante pressão. Jogamos bem, mesmo muito tempo com um jogador a menos e acabou sendo uma classificação com muito suor. Conseguimos nos defender e o Boschilia matou o jogo", comentou o meia, logo na saída do campo, em entrevista à Fox Sports.

Em relação ao seu belo gol, que saiu em um chute após boa triangulação de Alexandre Pato e Alan Kardec, o meia disse que soube aproveitar uma falha de posicionamento do goleiro. "Eu peguei de chapa na bola, peguei bem e foi uma bela jogada. Quando vi o goleiro posicionado, decidi colocar no canto e deu certo. Mas mais importante do que o gol foi a nossa classificação." (AE)

HUACHIPATO

M. Jimenéz; E. González (M. Rodríguez), C. Muñoz, O. Merlo e Vejar; Povea (C. Espinosa), Arrué, J. C. Espinoza e Sagal; Ezquerra (M. Sánchez) e Vilches. Técnico: Mario Salas.