Publicado 12 de Outubro de 2014 - 5h30

Não se discute que Dunga se exalta com certa facilidade e que, às vezes, passa do ponto nas reclamações à arbitragem, nas discussões com adversários ou nas entrevistas coletivas. É um aspecto com o qual ele deveria se preocupar um pouco, pelo menos para evitar exageros. Mas, por outro lado, considero positivo o fato de a Seleção Brasileira ter um treinador com esse perfil. Um cara mais chato, que não leva desaforo para o vestiário e que exige que seus atletas tenham, dentro de campo, uma postura semelhante.

Na boa vitória sobre a Argentina, Dunga voltou a mostrar esse seu lado que divide opiniões. Li e ouvi várias críticas ao treinador da Seleção Brasileira, que discutiu de forma áspera com integrantes da comissão técnica rival e reclamou ostensivamente da arbitragem.

Desde que não seja expulso e não brigue com ninguém, eu acho até bom que Dunga seja Dunga no comando da Seleção, principalmente em uma partida como a de ontem.

Tenho a impressão que Dunga não suportaria ter um auxiliar como Murtosa, que assiste aos jogos como se estivesse em um teatro. E acho ótimo que ele tenha essa aversão à apatia e ao conformismo. O simples fato de ser Dunga não garante resultados positivos aos times que ele comanda, mas acredito que, ao ser Dunga, o treinador consegue transmitir a seus atletas esse espírito de competitividade, essa vontade quase incontrolável de ganhar. E, num jogo como o de ontem, isso faz muita diferença. O Brasil já teve seleções com mais qualidade, mas ainda tem vários bons jogadores. Se forem capazes de aliar determinação à técnica, a vida dos adversários ficará cada vez mais complicada.

Essa imagem de equipe difícil de ser batida foi seriamente danificada na Copa do Mundo. A posição final não foi ruim, mas a humilhante, inexplicável e inacreditável derrota por 7 a 1 para a Alemanha ofuscou qualquer outra virtude. O mundo ficou com a impressão de que qualquer outra seleção poderia dar um baile na equipe canarinho.

Dunga já começou a reverter essa sensação, logo no início de seu trabalho. Ninguém rasga elogios à Seleção Brasileira porque as vitórias sobre Equador, Colômbia e Argentina foram em amistosos. Mas o mundo estaria desabando na cabeça de Dunga se ele tivesse colecionado empates e derrotas nesses amistosos.

A vitória sobre a Argentina, no melhor estilo Dunga, contribui para o resgate da imagem da Seleção Brasileira. É por isso que não me incomoda que Dunga seja Dunga. É melhor assim.