Publicado 16 de Outubro de 2014 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

Crise, falta, água, crise, abastecimento, água, personagem, Vila União, Zilda Oliveira

Leandro Ferreira/ AAN

Crise, falta, água, crise, abastecimento, água, personagem, Vila União, Zilda Oliveira

Pelo menos 220 mil pessoas em 110 bairros, o equivalente a 20% da população de Campinas (SP), estão sendo afetadas pela falta de água desde a noite de sexta-feira, situação que deve se manter até esta sexta-feira (17), quando chegará na área de captação de água uma ajuda extra de Jundiaí, que mais uma vez interrompeu a transposição de 1,2m3/s do Atibaia para o Rio Jundiaí-Mirim. É a terceira vez neste mês que aquela cidade socorre Campinas.

 

Essa água é essencial para aumentar a vazão e ajudar na diluição dos poluentes. A ajuda do Sistema Cantareira, de mais 0,5m3/s, que começou a ser liberada na terça-feira, só chegará em uma semana. A qualidade ruim da água, com alta concentração de poluentes, impede o tratamento, e por isso estão ocorrendo as interrupções na captação.

 

Nova redução

Nesta quarta-feira (15), a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) reduziu ainda mais a captação, pelo agravamento da poluição do rio. A empresa captou 2,7m3/s, volume que consegue atender 68% da necessidade, uma vez que houve aumento de consumo pela população em decorrência do forte calor — para atender toda a cidade seria necessário captar 4m3/s.

 

Segundo a empresa, a interrupção no fornecimento atingiu um número menor de bairros nesta quarta do que vinha ocorrendo desde a noite de sexta-feira. Pela manhã, parte do Jardim Eulina, parte do Profilurb e a região do Jardim Santo Antônio ficaram sem água, segundo a empresa de abastecimento, mas moradores de Sousas, Chapadão, Vila União, Vila Nova, Padre Anchieta, Santa Odila, Guarani e Santa Lúcia também relataram falta de água.

 

Dificuldades

 

A Sanasa admite que há ainda bairros na região do Campo Grande com dificuldades de abastecimento, mas nega que haja locais em que o desabastecimento tenha durado mais de 12 horas.

 

O Rio Atibaia registrou uma vazão media de 3,2m3/s, mas no final da tarde o volume de água baixou mais, chegando a 2,8m3/s no ponto de monitoramento de Valinhos, onde está a rede telemétrica do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee). A água praticamente não circula no rio. As pedras estão à mostra e peixes podem ser vistos entre pequenos lagos tentando sobreviver.

Transtornos

 

A falta de água já está levando à suspensão de aulas em Campinas. A Escola Municipal de Educação Infantil Jardim Amapat, no Parque Tropical, tem ficado sem água na parte da tarde a semana toda. Segundo o vigilante Itamar Cardoso, de 50 anos, crianças de até seis anos frequentam a unidade. “Precisam usar banheiro, bebedouros, e não podem.”

 

A costureira Lourdes Fagundes Siqueira, do Jardim Santa Lúcia, disse que a falta de água se tornou um transtorno para os moradores, porque não são avisados previamente e não têm como se preparar. “Da mangueira só sai um filete de água. Na segunda-feira não recebemos nada.”

 

 

Torneira seca

 

A comerciante Zilda Oliveira, da Vila União, disse que o bairro está sem água há dois dias e na semana passado não teve abastecimento nem sexta e nem domingo. “Tive que comprar copos descartáveis para servir os clientes, porque não há água para lavar os de vidro. Tem gente comprando água engarrafada para beber.”

Para garantir que a população das áreas mais altas consiga receber água pelo menos em um período do dia, a Sanasa iniciou uma operação para alternar o enchimentos dos reservatórios enterrados e elevados. O diretor técnico da empresa, Marcos Antônio dos Santos, explicou que o rodízio de reservatórios é medida emergencial, que começou a ser adotada para suprir as situações mais críticas, que vinham submetendo moradores a mais de um dia sem água.

 

Campinas tem 25 reservatórios elevados e 40 semienterrado que somam uma capacidade de armazenamento de 123,4m3, capaz de garantir o abastecimento da cidade por oito horas. Emergencialmente, para que os reservatórios elevados consigam receber água, a Sanasa está fechando a entrada nos semienterrados, de forma a garantir pressão para chegar nos pontos mais altos. Quando os elevados estão cheios, são fechados, para permitir o enchimento dos semienterrados. “Assim, a gente garante que pelo menos em uma parte do dia, todos consigam receber água”, afirmou.

 

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Maria Teresa Costa