Publicado 16 de Outubro de 2014 - 5h00

Por Sarah Brito

Caminhões-pipa, socorrem, bairros, sem, água, Campinas, Jardim Santo Antonio

Carlos de Souza Ramos/AAN

Caminhões-pipa, socorrem, bairros, sem, água, Campinas, Jardim Santo Antonio

Pela rua de terra batida, pessoas carregam baldes. Levam nos braços, empurram com os pés os vazios e chegam carregados deles no carro, porta-malas, onde for. É raro caminhar mais de 5 minutos pela periferia de Campinas (SP), no bairro Jardim Santo Antônio, sem ver alguém carregando recipientes, baldes, cestos que antes era usado para colocar roupa suja. Coloridos, brancos, com propaganda de cloro para piscina ou floridos.

 

A nova relação dos moradores com a seca e falta de chuva é esta: de procurar água, carregá-la e racionar o que conseguir levar. Nesta quarta-feira (15), moradores se enfileiravam a espera da vez para conseguir um pouco de água potável do caminhão-pipa que veio socorrer a sede de uma parte do bairro, um dos mais castigados pelos cortes no abastecimento de Campinas.

 

 

Cinco dias

A Sociedade de Abastecimento de Água e Esgoto (Sanasa) informa que o abastecimento da parte baixa do bairro foi normalizado ontem à tarde, e que "nas próximas horas" vai ser normalizado o abastecimento do bairro inteiro. Enquanto isso, a população já viveu pelo menos cinco dias sem água. Desde terça-feira, os caminhões-pipa têm chegado para auxiliar na situação. Quando chegam, a ansiedade contamina os moradores, que querem garantir o máximo do recurso hídrico disponível.

"É a primeira vez que faço isso em três anos que moro aqui. Em casa não chega uma gota de água. É um sofrimento. Tenho que descer da minha casa e subir com o balde cheio. Quase não aguento", contou a embaladora Laura Alves de Sousa, de 28 anos. Segundo ele, a água dos dois baldes que carregava não duraria até a tarde. Tem que cozinhar, beber e lavar roupa. "Tenho caixa d'água, mas está lá no fundo da casa e o caminhão não vai até lá".

 

Moradores fazem fila para pegar água no Jardim Santo Antonio

 

Briga

A zeladora Marli Jesus Bezerra, de 45 anos, disse que chegou a comprar uma caixa d'água, mas que o caminhão-pipa não chega até as casas. "Situação crítica. Ontem [terça-feira] saiu até briga na rua, porque o caminhão veio e acabou a água. O pessoal não queria deixar o caminhão ir embora. Não era suficiente. Eu comprei uma caixa d'água, mas eles não enchem. Aí temos que vir buscar e encher na mão", relatou.

 

O clima de animosidade entre os vizinhos têm se acirrado com a falta de água e o aumento do calor. Muitas crianças que estavam na fila carregavam garrafinhas de água de 500 ml para beber.

 

Várias viagens

No bairro Jardim Santo Antônio, o caminhão-pipa fez viagens durante todo o dia para abastecer a população. Segundo a Sanasa, moradores do Vista Alegre e Jardim Santo Antônio, ambos na região do Ouro Verde, receberam reforço no abastecimento. O Posto de Saúde Padre Anchieta também recebeu abastecimento feito pelo caminhão-pipa.

A Sanasa informou ainda que os pedidos de caminhão-pipa na cidade aumentaram 50% desde o final de semana, quando a captação foi reduzida pela primeira vez. Cada caminhão possui entre 8 mil e 16 mil litros de água e tem capacidade para abastecer, em média, 16 casas. Se o seu bairro está sem água, entre em contato com a Sanasa pelo telefone 0800.7721.195 que a situação será avaliada.

 

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Sarah Brito