Publicado 16 de Outubro de 2014 - 5h00

Por Patrícia Penzin

Santa Casa, Itapira, hospital

Fernando Pineccio/Tribuna de Itapira

Santa Casa, Itapira, hospital

O surto de uma doença desconhecida que já atingiu 18 moradores de Itapira (SP) vem intrigando a cidade localizada na região de Mogi Mirim. Os casos surgiram no dia 4 de outubro, quando 12 pessoas procuraram dois hospitais da cidade relatando sintomas como edema de língua, paralisia facial, taquicardia, sudorese, contraturas musculares e, em alguns casos, hipertensão arterial.

 

Sem diagnóstico definido, a Secretaria de Saúde do município acionou o Centro de Controle de Intoxicações (CCI) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para investigar o caso e descobrir a origem do problema.  Os pacientes foram atendidos em hospitais municipais e receberam um medicamento para tratar os sintomas e foram liberados em seguida.

 

Temor

 

Apenas duas vítimas ficaram internadas durante dois dias, mas passam bem. Os pacientes moram no bairro dos Prados, Vila Boa Esperança, Jardim Magali, Dela Rocha e os bairros do Machadinho e Macucos, na zona rural da cidade.  O assunto virou tema central em muitas rodas de conversa na cidade. A

 

Além da curiosidade de descobrir a doença misteriosa, os moradores querem saber se há risco para a população. “A gente acaba ficando preocupado mesmo porque não sabe o que é, mas pelo que fiquei sabendo que a Unicamp está investigando”, comenta o aposentado Antônio Moreira. 

 

Investigação

 

A Vigilância Epidemiológica informou que não encontrou correlação entre água ou alimentos ingeridos pelo grupo. Sem ter ideia da doença que acometeu 12 pessoas num único dia, o assunto foi discutido com o CCI, que teria descartado a hipótese de intoxicação por fator externo.

 

Segundo o relatório da Secretaria de Saúde, a avaliação clínica, epidemiológica e laboratorial dos pacientes descartou também uma doença infecciosa. Técnicos da Vigilância colheram amostras de água na residência de pacientes e encaminharam para o CCI. Foram colhidas ainda amostras de sangue e urina de alguns pacientes para submeter à análise.

 

Exames

 

Segundo a assessoria de imprensa da Unicamp, as amostras de água chegaram nesta quarta-feira (15) ao CCI. Os testes serão conduzidos no Instituto de Química, em um equipamento chamado cromatógrafo, específico para análise de água. Os resultados devem sair em uma semana.

 

O mistério sobre o surto da doença é ainda maior porque uma análise preliminar da água, feita pelo Laboratório de Referência da Diretoria Regional de Saúde, não revelou anormalidades na amostra.  Enquanto o diagnóstico não é fechado, os moradores da cidade se questionam sobre o surto. “A gente fica preocupado porque não sabemos o que é e como se espalha”, comentou Vera Silva, que trabalha no centro da cidade.

 

O temor é ainda maior entre os moradores da região do bairro dos Prados, onde moram algumas pessoas que contraíram a doença. “Lá as pessoas estão bastante assustadas porque não se sabe o que é ou como a doença é transmitida”, afirmou Cássia Oliveira.

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Patrícia Penzin