Publicado 15 de Outubro de 2014 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

Manifestantes queimaram veículos em protesto por falta de água

Divulgação

Manifestantes queimaram veículos em protesto por falta de água

Nove cidades das regiões de Campinas, Sorocaba e Piracicaba (SP) enfrentam rodízio no fornecimento de água ou problemas na captação, o que também tem levado a desabastecimento em alguns bairros. São pelo menos 530 mil pessoas afetadas por racionamento em seis municípios. Outras 240 mil em Americana e Indaiatuba começarão o dia nesta quarta-feira (15) sem saber se terão água nas torneiras, por causa da qualidade ruim dos rios, o que tem levado as empresas de abastecimento a suspender o fornecimento sem aviso prévio.

 

Campinas começou a reduzir a captação pelos mesmos problemas no sábado (11), mas não tem uma estimativa de quantas famílias estão sendo atingidas.

O resultado desse quadro é a revolta da população, que começa a ir para as ruas exigir providências: na noite de segunda-feira (13), moradores de Itu, que enfrentam racionamento desde fevereiro, bloquearam as rodovias Waldomiro Corre e Santos Dumont com pneus queimados e entulho e ontem à tarde, em Campinas, moradores do Jardim Santo Antonio, sem água desde sexta, fecharam a Avenida Celso Belledoni.

 

Regiões mais altas

A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), responsável por Campinas, não tem uma estimativa de quantas pessoas estão enfrentando falta de água porque o problema atinge parcialmente cinco das regiões mais altas da cidade. Mas em Americana, que implantou rodízio dos reservatórios, 220 mil moradores estão acordando todos os dias sem saber se terão água.

 

Em Indaiatuba, seis bairros com 20 mil habitantes, que estão nas áreas mais altas, estão ficando sem água pelo mesmo problema de Campinas: a qualidade do rio está ruim. O superintendente do Departamento de Água e Esgoto, Nilson Alcides Gaspar, informou que a sujeira do rio obrigou a empresa a lavar pelo menos seis vezes ao dia os filtros, procedimento que era adotado antes por duas vezes ao dia. Cada lavagem exige parada na captação. “É preferível deixar a população algum tempo sem água do que distribuir um produto de má qualidade”, disse.

 

Salto

 

A cidade de Salto iniciou o racionamento de água durante a noite, entre 21h e 6h, todos os dias, para que os reservatórios possam ser reabastecidos. O racionamento, que afeta 110 mil pessoas, foi adotado em virtude do prolongamento da estiagem e devido ao alto consumo de água nos últimos dias, motivado pelo calor mais intenso. O serviço de abastecimento informou que a vazão diminuiu em todos os mananciais, mas no Piraí, o principal da cidade, o volume de água atual é de um quarto do normal, o que levou à tomada de decisão pelo racionamento.

 

Em Saltinho, a população tem abastecimento durante 6 horas por dia, das 8h às 11h e das 16h às 19h, situação que será minimizada com a compra de água em Piracicaba, que foi autorizada pela Câmara Municipal na semana passada. O abastecimento será reforçado com a construção de uma adutora ligando as duas cidades.

 

Vinhedo

 

Em Vinhedo, que é abastecida por 36 reservatórios, o fornecimento vem sendo

interrompido toda vez que há aumento de consumo. A empresa de abastecimento, a Sanamento Básico Vinhedo (Sanebavi) está fazendo o monitoramento do consumo da população e cortando o fornecimento por três a quatro horas nas regiões onde há aumento de uso da água. 

 

Em Valinhos, os 117 mil moradores enfrentam racionamento desde fevereiro. Os moradores estão com abastecimento interrompido das 10h às 4h do dia seguinte, duas vezes por semana, com exceção da região central, que terá o fornecimento de água cortado apenas aos domingos. Valinhos implantou penalização com multa de R$ 336,00 dobrando no caso de reincidência de pessoas flagradas pelos fiscais molhando jardins e quintais, lavando calçada, tanto residenciais quanto comerciais e lavagem de residências.

 

Outras cidades

Cosmópolis mantem esquema de racionamento desde fevereiro, com parada no fornecimento de água das 22h às 7h, intercalando diariamente as duas áreas em que a cidade foi dividida.  Em Itu, o abastecimento passou a ser interrompido às 20 horas e retomado às 4 horas. A medida vale para toda a cidade, de 155.611 habitantes, e só será revogada quando voltar a chover e os reservatórios atingirem o nível normal.

 

A cidade de São Pedro saiu do racionamento no início do mês, quando a chuva aumentou os níveis dos mananciais e Santo Antônio de Posse, que vinha restringindo o fornecimento de água, conseguiu apoio de proprietários de represas particulares e iniciou a captação nesses mananciais, interrompendo o racionamento. A água está sendo retirada das fazendas Jequitibá, Sesmaria e Santo Antônio.

Veja também

Escrito por:

Maria Teresa Costa