Publicado 14 de Outubro de 2014 - 19h48

Urubus e outras aves posam nas pedras à mostra no Rio Piracicaba nesta terça-feira (14)

Gazeta de Piracicaba

Urubus e outras aves posam nas pedras à mostra no Rio Piracicaba nesta terça-feira (14)

 A Organização Não-governamental (ONG) Instituto Aimara, de Piracicaba, protocolou no Ministério Público documento com fotografias e vídeos que registram a situação do rio Piracicaba, sua baixa vazão e poluição nos últimos oito meses, na região da Ponte Pênsil.

De acordo com Enéas Xavier de Oliveira Júnior, advogado e presidente do Aimara, o objetivo é buscar respostas e soluções para a degradação do manancial.

O rio Piracicaba enfrenta a pior estiagem dos últimos 90 anos e na segunda-feira (13), às 17h20, sua vazão era de 4,9 metros cúbicos por segundo e altura de 0,63 metro. Nesse mesmo dia, em 2013, a vazão era de 31,08 m3/s e a profundidade, 1,17 metro.

Oliveira Júnior revela que a ação foi motivada após publicação de reportagem na Gazeta de Piracicaba, na sexta (10).

Nela, o MP informa que irá apurar se a mortandade de peixes ocorrida em 12 de fevereiro está ligada ao baixo nível das águas.

Nesse período, a vazão do Sistema Cantareira para as bacias do PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí) foi reduzida de 3 metros cúbicos por segundo para 1,5 m3/s.

De acordo com o promotor Ivan Carneiro Castanheiro, do Grupo de Atuação Especial em Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do MP, o desastre ambiental pode ser creditado a essa vazão e por isso ela será apurada.

“A gente tem que saber o porquê dessas mortes e também o motivo da falta de água. A falta de mata ciliar interfere nisso, a vazão do Cantareira também interfere. E tem a questão do esgoto. A Administração diz que trata 100% do esgoto, mas sempre vemos o despejo irregular de detritos no rio”, lamentou Oliveira Júnior.

“A gente está cansado de blá-blá-blá e se a sociedade não se envolver não vai haver uma solução para o nosso rio”, ressaltou. Quem tiver documentos que também mostrem a situação do rio podem entrar em contato com a Aimara.

Ação

“Estou tão assustado quanto você”. Com essa frase, o secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, atendeu a reportagem da Gazeta, ao telefone. “Eu moro a três quadras do Piracicaba. Tinha um número em minha cabeça: 19 m3/s, 14 m3/s. Visão como a que tive da janela de minha casa eu não não estava preparado para ter”, confessou.

Segundo Lahóz, até que o bloqueio climático que vem impedindo as chuvas no Sudeste seja rompido, é preciso agir para evitar uma situação de caos nos rio e no abastecimento.

Entre as ações, ele propõe que após as eleições, sejam decretadas as criticidades nos municípios, que permitem uma série de ações, como a liberação de recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para que as prefeituras façam mudanças de todas as ordens, como a troca de redes com mais de 20 anos e hidrômetros com mais de cinco, por exemplo, para evitar perdas de água.

“Se somarmos as perdas na rede, de 30%, nos 76 municípios do PCJ e na Grande São Paulo, por segundo, dá um Sistema Cantareira. Estamos num ponto em que uma gota de água passa a ser ouro”, alerta.

 

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