Publicado 13 de Outubro de 2014 - 5h00

Por Antônio Contente

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Dizem que segundo turno é uma nova eleição, mas discordo. Trata-se da mesma, só que com sintonia fina; os postulantes, reduzidos a dois, terão que se enfrentar na base do olho no olho. Durante os dias que antecederam o primeiro turno não acompanhei as campanhas nem os debates, pois estava refugiado no meu esconderijo na foz do Rio Amazonas, onde não disponho de luz elétrica, o que impossibilita manuseio de TV ou computador.

Foi quando resolvi que retornaria a Campinas para poder votar, alguns dias antes do pleito. Daí tomei informações aqui e ali; por meio de arquivos de variadas procedências pude assistir os debates.

Ora, amigos, vamos falar a verdade, a estrutura de tal tipo de confronto deixa muito a desejar. Principalmente porque a Lei Eleitoral exige que as apresentações dos presidenciáveis sejam abertas a todos os candidatos cujos partidos ostentem representantes no Congresso. Assim, o número de debatedores, ao invés de aclarar as coisas, confunde; pois os que realmente têm alguma possibilidade de chegar ao Planalto são obrigados a interagir com outros que não venceriam sequer eleição para síndico de prédio. Isso sem falar que alguns tipos são francamente folclóricos; seriam ruins até nos programas cômicos nas TVs que não têm nenhuma graça, ou em circos de periferia onde os palhaços acham que para fazer rir basta usar sapatos maiores do que os pés.

Todavia, o que mais me chamou a atenção nos debates que pude rever, foram as perguntas não formuladas pelos candidatos que se opunham à atual ocupante do Planalto. Apresentação de programas de governo, consistentes, não vi. E como, afinal, os bate bocas se resumiam aos golpes abaixo da cintura ordenados pelos marqueteiros, acabei por concluir que a doutora Dilma Rousseff terminou poupada, pois inúmeras perguntas importantes deixaram de a ela ser feitas. O que, espero, agora no segundo turno o doutor Aécio não deixará de fazer.

Por exemplo, não ouvi ninguém indagar ao poste do Lula as causas e razões da tal transposição do Rio São Francisco ter sido um tremendo fracasso. Ou seja, as obras acabaram paralisadas e derretem sob o sol do sertão nordestino, mas as verbas a ela destinadas nunca deixaram de escorrer no lugar da água. Se a grana não foi para as escavações e terraplenagens, empacadas, para onde foram?

Rosemary Noronha. Aí está outro nome que não ouvi pronunciado em nenhum debate. No entanto esta senhora teve lugar de destaque em inumeráveis maracutaias ao ocupar o importante cargo de chefe do escritório do Governo Federal em São Paulo. Afinal ela não só foi colocada no posto pelo ex-presidente Lula, como tornou-se amiga íntima dele. Não íntima de um café aqui ou um almoço acolá. Sim através de dezenas de viagens internacionais que fez em companhia do então chefe do Executivo Federal, a ocupar o lugar da primeira dama na suíte presidencial do Aerolula. Por que os inquiridores dos debates não pediram explicações sobre essa esculhambação federal, a gerar como filhos funcionários nomeados para postos importantes cuja maior tarefa era equacionar propinas?

E o enriquecimento do Lula, paulatino, e meteórico do Lulinha? Por que tal questão não veio à baila? O que de verdade há sobre informações de que a Receita Federal se vê tolhida, por ordens da presidente, em vasculhar as contas dos dois ricaços?

As ações do ex-presidente como lobista das grandes empreiteiras que fazem obras no Exterior com financiamento do BNDES, qual a razão de não terem perguntado nada? E o perdão das dívidas de inúmeros sanguinários ditadores africanos que deviam milhões ao Brasil e foram anistiados pelo atual governo? Também não escutei necas de pitibiribas a respeito das obras que o Brasil tem financiado em Cuba. Não é o caso de, agora olho no olho, questionar essa bandalheira? Quem levou quanto nisso, além do sanguinário Fidel mais o irmão, também sanguinário ditador de plantão? E o diplomata que libertou o senador Molina das garras do falso índio Evo Morales e está sendo perseguido dentro do Itamaraty? Todo mundo quer saber; por que não perguntam? Qual a razão de um tipo como o aspone Marco Top Top Garcia comandar nossa política externa?

Enfim, o espaço é curto, o que está acima é apenas a ponta do iceberg. Segundo turno é para clarear panoramas. Ah, sim, quem matou Celso Daniel no ABC e o Toninho em Campinas?

Escrito por:

Antônio Contente