Publicado 12 de Outubro de 2014 - 5h00

Eduardo Gregori

Janaína Ribeiro/Especial para a ANN

Eduardo Gregori

Acompanho, quase que diariamente, os preços de passagens aéreas. Assino sites de promoções, recebo informações por e-mail de agências de viagens, enfim, procuro estar atento ao mercado, como profissional de imprensa e também como consumidor. Outro dia me deparei com uma propaganda que saltou em um pop-up e que me pareceu, de cara, aquele ditado: “Quando a esmola é demais o santo desconfia”. No texto, uma passagem entre São Paulo e Lisboa por inacreditáveis R$ 400 ida e volta.

Se eu não tivesse comprado o mesmo trecho uma semana antes por US$ 600, talvez eu entrasse correndo no tal site para garantir logo a minha. Quando há promoções muito boas, costumo comprar passagens antecipadas para usar nas férias ou feriados. E mesmo que eu não as utilize, deixo guardada para um outro momento oportuno. Se fosse verdade, os R$ 400 seriam mais que oportunos para um trecho entre Brasil e Europa e mesmo eu tendo já duas passagens compradas, uma para Lisboa e outra para Madri. Dizem que a curiosidade matou o gato, então, mesmo assim, quis verificar qual milagre ou façanha uma agência de viagens da internet teria alcançado para conseguir que uma companhia aérea transformasse uma passagem que uma semana antes custava US$ 600 em R$ 400. Cliquei no link que oferecia diversas datas com saídas de várias cidades brasileiras. Escolhi aleatoriamente, pois até ali ainda estava cético. Cheguei à página de pagamento e, inacreditavelmente o valor (sem os impostos) era mesmo de R$ 400. Porém, ao clicar na finalização da compra, o site informa a taxa cobrada pelo serviço e apresenta os impostos, ou seja, a taxa de embarque. Em resumo, de R$ 400, a passagem foi para quase R$ 3 mil. A quem uma agência de viagens on-line acredita que pode enganar? Será que eles pensam que, atraindo um cliente com preço baixo, ele fecharia por uma valor quase 10 vezes maior?

Esse tipo de prática me preocupa, primeiro porque é uma propaganda enganosa, segundo, porque, se a pessoa não presta atenção, pode acabar comprando a passagem pensando que está pagando um valor e, na verdade, está pagando outro e, por fim, a empresa manipula uma isenção de culpa ao transferir para a taxa de embarque todo o valor cobrado a mais. Para se ter uma ideia, a taxa de embarque internacional não atinge nem R$ 100 por trecho. No máximo, seriam cobrados, R$ 200 pelo total da viagem. Como explicar R$ 2,5 mil só de taxas e impostos? Portanto, o que digo aos leitores é que não se deixem seduzir por propagandas tão tentadoras. O preço de uma passagem é regulado, basicamente pelos custos operacionais e pontualmente pela lei da oferta e da procura. Os voos internacionais e, principalmente para a Europa têm saído do Brasil em sua maioria lotados. Por que razão uma companhia aérea perderia dinheiro reduzindo o preço da passagem, se seus aviões estão abarrotados? Não faz sentido. Por isso, todo cuidado é pouco.