Publicado 15 de Outubro de 2014 - 12h13

Por Agência Estado

Petista vai gravar conversas com dirigentes da centrais sindicais que irão gravar programa de propaganda eleitoral

AFP

Petista vai gravar conversas com dirigentes da centrais sindicais que irão gravar programa de propaganda eleitoral

Sem conseguir acertar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva um comício em porta de fábrica no ABC paulista, a presidente Dilma Rousseff encontrará nesta quarta-feira (15) em São Paulo aproximadamente 200 líderes sindicais, que vão gravar com ela cenas para o horário eleitoral de TV.

Lula tem se queixado há tempos, em conversas reservadas, que a agenda de Dilma "muda a toda hora" e que é impossível fazer uma programação com antecedência. Além disso, o comando da campanha de Dilma acha mais prudente concentrar a presença de Lula, neste momento, nas regiões Norte e Nordeste e em Minas, mas não em São Paulo, onde a presidente teve seu segundo pior desempenho no País, atrás do Distrito Federal.

Pesquisas encomendadas pelo partido indicam que, desde os últimos escândalos de corrupção na Petrobras, o índice de rejeição de Dilma aumenta na capital paulista, principalmente em setores de classe média, quando a candidata aparece ao lado de Lula. Diante disso, o ex-presidente decidiu se concentrar em "agendas paralelas" e de bastidor.

A participação dos representantes da CUT, UGT, Nova Central, CTB CSB e Contag no programa de TV de Dilma, sob a direção do marqueteiro João Santana, foi fechada pela própria presidente.

No domingo, quando visitou em São Paulo o CEU Jambeiro, na zona leste, acompanhada só do prefeito Fernando Haddad e dos candidatos derrotados do PT ao governo, Alexandre Padilha, e ao Senado, Eduardo Suplicy, Dilma foi alertada de que precisava do "apoio de trabalhadores" na propaganda.

Ao se reunir naquele dia com os presidentes da CUT, Wagner Freitas, e da UGT, Ricardo Patah, Dilma ouviu que o candidato do PSDB, Aécio Neves, já tinha aparecido com sindicalistas no horário eleitoral. Eles a aconselharam a fazer o mesmo "para não parecer sozinha".

Na tarde desta terça-feira, 14, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, acertou os últimos detalhes do roteiro na TV com os dirigentes das centrais. Até João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical - central que apoia Aécio - gravará agora mensagem para Dilma.

Vitamina

Depois de passar descomposturas públicas pelo fracasso do PT em São Paulo durante plenária com sindicalistas, no dia 9, Lula ficou quieto, o que causou estranheza em alas do partido.

Na manhã de segunda-feira, porém, ele se reuniu com o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, coordenador da campanha de Dilma em São Paulo, com aliados e com pelo menos um dirigente de instituto de pesquisa. Queria saber o que pode ser feito para vitaminar a candidatura de Dilma, hoje em dificuldades.

Nos últimos dias da campanha, a agenda mais esperada de Lula será em Pernambuco, onde Aécio busca o espólio eleitoral do ex-governador Eduardo Campos, morto em agosto. O tucano tem aval da família Campos e de Marina Silva (PSB), que foi a mais votada no Estado natal de Lula. "Me aguardem em Pernambuco", disse Lula a um amigo.

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