Publicado 16 de Outubro de 2014 - 5h00

Colunista Zeza Amaral

Cedoc/RAC

Colunista Zeza Amaral

Escrevo o que o raro leitor já sabe salteado. O nazista Goebbels dizia que uma mentira repetida mil vezes se tornava verdade. Eu digo que uma verdade dita uma única vez se revela a única verdade: o fato.

E vamos aos fatos, pois tudo o que se refere aos petralhas nacionais sempre é plural. A Justiça do Paraná divulgou os depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e do doleiro Alberto Yousseff, velho conhecido da Polícia Federal pela reiteração dos mesmos crimes, à opinião pública. Ambos detalharam suas operações criminosas que culminaram no desvio de R$ 10 bilhões dos cofres da Petrobras, empresa que pertence a todos nós brasileiros.

Os petralhas nacionais não gostaram e acusaram a Justiça do Paraná de partidarismo por ter divulgado os depoimentos em plena campanha eleitoral à Presidência da República. Escracho nacional. Os petralhas nacionais querem que a Justiça cesse o seu trabalho quando está em curso uma campanha eleitoral.

Por sua vez, em resposta às críticas absurdas do PT — vale dizer, feita em nome da presidente-candidata Dilma Rousseff — a Procuradoria-Geral da República do Paraná divulgou nota dizendo que o processo é público e que os depoimentos obedeceram “aos prazos fixados para procedimentos de réus presos”.

Democracia vale pra Chico e Francisco, cada um carregando a sua borduna. Mas a incoerência democrática da petralha nacional dá bem o método do PT governar: o partido da Dilma Rousseff protocolou na Procuradoria-Geral da República e no Supremo Tribunal Federal um pedido de acesso à delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, confissão esta que não pode ser revelada porque se mantém em segredo de Justiça.

Pois é: o PT reclama da divulgação legal de um processo, que é público, para, em seguida, exigir que a Justiça lhe forneça um depoimento de delação premiada que, por força de lei, tem amparo legal no segredo de Justiça. E assim se finaliza a nota da Procuradoria-Geral da República do Paraná: “A atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, nos procedimentos decorrentes da Operação Lava Jato, que tramitam perante a 13ª Vara Federal Criminal, é estritamente técnica, imparcial e apartidária, buscando adequadamente elucidar todos os fatos para, se for o caso, serem aplicadas punições a quem quer que sejam os responsáveis. Outras declarações prestadas pelos acusados, em procedimentos investigativos que não fazem parte deste processo, possuem regramento próprio e não podem ser confundidos com os interrogatórios da ação penal pública”.

A atarantada presidente-candidata Dilma Rousseff, tentando rebater com peneira os raios solares de R$ 10 bilhões que iluminam a roubalheira da Petrobras e da Usina Abreu Lima, se defende dizendo que autorizou a Polícia Federal a investigar a quadrilha que se instalou na Petrobras. Uma fala digna de quem está politicamente insana que, aliás, bem revela o seu analfabetismo democrático: afinal, a Polícia Federal é uma instituição do Estado e não deste ou daquele governo.

Não sei se Dilma vai ganhar a eleição. O que sei é que ela deseja uma Constituinte para fazer uma reforma política. O ditadorzinho Hugo Chávez fez a mesma coisa na Venezuela e sabemos bem que os pobres venezuelanos fazem fila no supermercado até para comprar papel higiênico, como acontece em Cuba.

Dilma, assim como o defunto Chávez queria e fez em seu país, quer um Supremo Federal e uma Imprensa sob a tutela petista. Ela continua com o mesmo sonho comunista de substituir a Sociedade pelo Partido; talvez até ressuscite a Vanguarda Popular Revolucionária, ou mesmo o VAR-Palmares. Mas aí exagero em nome de um circo em que vem se tornando o desespero lullo-petista.

Quem votar verá. E aí será tarde demais para voltar atrás. Para o bem ou para o mal.

Bom dia.