Publicado 12 de Outubro de 2014 - 5h00

Moacyr Castro

AAN

Moacyr Castro

“Em 1960, o diretor comercial da fábrica de brinquedos Estrela no Brasil, Eber Alfred Goldberg, teve a ideia de criar a Semana do Bebê Robusto, em parceria com a empresa de cosméticos e produtos farmacêuticos Johnson & Johnson. Logo depois, em junho do mesmo ano, seguindo a iniciativa de Eber, outras empresas resolveram criar a Semana da Criança, para aumentar as vendas. Faltava apenas escolher uma data e um mês. Em comum acordo, o comércio instituía, então, 12 de outubro como o Dia da Criança, não só para homenageá-la como para estimular a venda de produtos infantis.”

“Nos anos 20s, o deputado federal Galdino do Valle Filho, teve a ideia de homenagear as crianças. A Câmara aprovou, e o dia 12 de outubro foi oficializado ‘Dia da Criança’ pelo presidente da República Arthur Bernardes, por meio do decreto nº 4.867, de 5 de novembro de 1924.”

Ao contrário de outras datas importadas, como Primeiro de Maio e Dia das Mães, o “Dia da Criança”, de verdade, é bem brasileiro, e o Brasil pode ter sido o primeiro a lembrar-se de dedicar (pelo menos) um dia às crianças. O Dia Mundial da Criança é oficialmente 20 de novembro, data que a ONU reconhece como Dia Universal das Crianças, quando foi aprovada a Declaração dos Direitos da Criança, em 1959, e a Convenção dos Direitos da Criança, em 1989.

Galdino do Valle Filho foi médico, nascido na cidadezinha de Trajano de Morais, miolo do Estado do Rio, entre o Leste de Minas e o Atlântico. Tem hoje 11 mil habitantes.

Uma criança nascida em 1879, na colônia dos americanos confederados, aí em Santa Bárbara d’Oeste, foi a pedra de toque precioso que enriquece a nossa história. A menina Pérola Byington nasceu, cresceu e viveu para tirar crianças da miséria. De costas para a pobreza, porque pobre não é mercado, o objetivo de uns fazia da criança uma oportunidade de vendas de seus produtos. De frente para a realidade, porque a verdade não tem preço, a grandeza de outros convocava os ricos para erguer com o coração o “Hospital da Cruzada Pró-Infância de São Paulo”, fruto da benemerência, para combater a mortalidade infantil e promover a saúde da mulher. Dona Pérola, mãe de dona Lila Egydio Martins, fazia do nascente ‘Dia da Criança’ uma festa para dar bom futuro a quem não tinha esperança nem no dia seguinte.

Grande brasileira! Durante a I Guerra Mundial encontrava-se nos EUA, responsável por uma secção da Cruz Vermelha, em socorro às vítimas do conflito. No Paraná, é nome de cidade, em sua terra-natal, batiza grande avenida. Pelo Brasil, é nome de inúmeras escolas e postos de puericultura. Em Campinas, o 64º Grupo de Escoteiros do Brasil chama-se "Pérola Byington", homenagem a essa filantropa e ativista dos direitos da criança, da mulher – e da saúde da mulher.

Pregado no poste: “No esconde-esconde, não deixe seu filho pensar que você está fugindo dele”