Publicado 14 de Outubro de 2014 - 5h00

Manuel Carlos - correio

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Manuel Carlos - correio

Os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef estão entregando partidos políticos e uma porção de agentes políticos envolvidos na roubalheira da Petrobras. Segundo eles, os partidos políticos envolvidos na fraude são o PT, o PMDB e o PP de Paulo Maluf. Lotearam a Petrobras e montaram o maior esquema de propina pagas por grandes empreiteiras de obras aos partidos e a agentes políticos.

Onde há corruptos há corruptores e no Brasil os grandes corruptores são sempre os mesmos. Segundo os delatores, pelo menos dez grandes empreiteiras teriam participado do esquema. Algumas delas dizem que são alegações caluniosas e outras não querem se manifestar alegando que desconhecem o teor dos depoimentos ou que não se pronunciam sobre inquéritos e processos em andamento.

Segundo os delatores, o PT controlava três diretorias, o PMDB a diretoria internacional,comandada por Nestor Ceveró, e o PP a área de abastecimento. Dizem também que o esquema irrigou campanhas eleitorais de 2010. O doleiro afirmou que tanto José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras em 2004, como seu sucessor, Sérgio Gabrielli, sabiam do loteamento político da estatal.

Era sabido por todos que o acordo para delação premiada esquentaria a chapa que vai fritar grandes partidos políticos e renomados parlamentares e ministros, mas curiosamente a estratégia adotada pelo Ministério Público impede qualquer referência a nomes que gozam de foro privilegiado para que a competência da apuração não se desloque para o Supremo Tribunal Federal.

Creio que o MP não confia no atual STF, hoje sem a presença de Joaquim Barbosa. A tropa de choque do PT já entrou em ação, capitaneada pelo deputado Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara no período em que Costa foi nomeado diretor de abastecimento da Petrobras.

Lula não quis comentar nada a respeito dos fatos, mas disse que “já está de saco cheio de denúncias em véspera de eleição. É todo ano a mesma coisa”. Nisso ele tem razão, as denúncias de corrupção não param e nem poderiam parar, porque a Polícia Federal e o Ministério Público aonde põem a mão,a coisa fede.

O argumento da candidata Dilma Rousseff é ainda mais interessante e ela diz que tais escândalos só estão sendo descobertos porque a Polícia Federal trabalha com liberdade e a Procuradoria não é mais ocupada por um “engavetador geral”. O argumento usado pretende nos induzir a acreditar que em outros governos essa liberdade não existia, mas a verdade certamente é outra, não havia tanta corrupção a ser apurada.

A estratégia do MP, fundada na falta de confiança no STF, não permitindo que nomes de parlamentares e ministros venham à tona está, certamente, retardando a prisão de muitos bandidos. Dentro de alguns dias essa farra pode acabar e talvez o novo governo consiga salvar a Petrobras.