Publicado 13 de Outubro de 2014 - 9h33

A praça, que deveria estar com a grama verdinha, está seca, mas isso não impede que toda manhã, faça sol ou chuva (ops), eles estejam lá correndo, gritando, suando aos cântaros, com a poeira grudada no rosto e nas pernas, correndo atrás de uma bola velha, meio murcha. A partida só termina perto do meio-dia, hora limite para tomar um banho rápido, almoçar e ir para a escola.

 

E quando o futebol cansa, o que é quase raro, eles pegam suas bikes e correm pelas ruas de terra da vila, levantando poeira, caindo, fugindo de cachorros e dando muitas risadas. E quando cansam das bicicletas e do futebol, pulam a cerca de arame farpado e invadem a fazenda para brincar em uma figueira gigantesca. Lá no alto da árvore montaram uma casinha de madeira, ou algo parecido. Quando cansam da árvore, mais ousados, provocam as vacas que pastam tranquilamente, até que elas se rebelam e botam eles pra pular a cerca num salto só. São moleques, no bom sentido da vida. Ainda bem.

 

E como toda turma, a deles também tem o líder, o briguento, o respeitador das regras, o birrento, e o “está tudo bem”. Volta e meia rola umas desavenças e a mãe de um ou de outro é xingada. Logo a raiva passa e tudo se acerta no futebol. Já causaram confusão com a vizinhança e levaram puxão de orelha, metaforicamente falando.

 

Da janela da minha casa todos os dias observo a diversão sadia desse bando de crianças que ignora — não por completo — o sedentarismo da tecnologia. Claro, eles têm Facebook e os mais velhos, celular, mas isso não tira a vontade de correr ao sol, de ser criança. Obviamente, o videogame também faz parte das brincadeiras, mas tem horário pra isso. Música eles adoram, principalmente funk. O tronco gigantesco de uma árvore no canto da praça, que seria transformado em totem por um escultor, é onde se encontram para traçar as aventuras do dia ou então para simplesmente conversar.

 

Toda quarta-feira pela manhã eles têm um compromisso divertido. Logo cedinho a Joana ou o Yvens, da Família Burg, passam pela vila e levam a turminha para ter aula de circo no Casarão de Barão. Uma excelente iniciativa e mais uma atividade sadia para as crianças.

 

Enzo, Erik, Eric Mendes, Paulinho, Chico e a pequena Sabrina, a única menina, formam a turminha da vila. Aliás, Sabrina é um caso à parte, esperta, inteligente, joga bola com os moleques e encara todas as brincadeiras. Vez ou outra, aparecem amigos convidados, como Gianluca, Matheus, Enrico, Danilo, Gabriel, Luis Filipe,

Luzia e os irmãos apelidados de Beconas — ainda não descobri o porquê do apelido.

 

Amanhã é o Dia das Crianças, e nada mais justo que homenagear esse grupinho que ainda mantém o espírito de criança, apesar de alguns já serem adolescentes.