Publicado 15 de Outubro de 2014 - 5h00

Havia sido contratado para dar um curso sobre trabalho em equipe com um grupo de trabalhadores em fazendas pertencentes a um conglomerado do agronegócio. Imaginei que meu auditório seria composto de gerentes e pessoal da administração.

Estava no local onde se daria o treinamento, juntamente com minha esposa, começou a chegar o pessoal e para nós foi um susto. Os que chegavam eram peões em suas calças sujas de terra, camisas suadas, chapéus na cabeça, banho por tomar, alguns acompanhados pelas esposas.

Olhei para minha esposa que olhava para mim e ela me disse: o material que preparamos não serve para este pessoal. O que fazemos? Parei, pensei e respondi que não daria tempo de mudar ou preparar algo diferente, e que teríamos que nos virar com o que tínhamos.

Mudei umas poucas coisas, passei as coisas de forma bem mastigada; o pessoal se soltou e da metade para a frente virou um gostoso encontro com muita risada e descontração.

A certa altura, já quase no final, eu propus a eles, em função do tema de reconhecer o trabalho dos outros, que daria a cada um três etiquetas adesivas. Cada um deles teria que pensar em três pessoas que pudesse sinceramente elogiar em algo.

Ele deveria escrever isto em uma etiqueta e assim uma para cada pessoa a ser elogiada. Depois de escritos, todos se levantariam e todos teriam que tocar as costas dos outros e deixar pregado, em quem ele quisesse elogiar, a etiqueta que correspondesse ao elogiado. Ao final, eu chamaria a cada um deles e tiraria as etiquetas e leria para todos em voz alta.

No meio do processo minha esposa me alertou para uma pessoa que era “sem presença”, sumido, e que ninguém colocaria nenhum elogio nas costas dele. Ficamos preocupados e pensamos em escrever duas etiquetas e dar um jeito de resolver o problema. Neste afã, percebemos que ele tinha duas etiquetas pregadas. Chamei e fui lendo as etiquetas de cada um. Chegou a vez dele e li as duas: “você trabalha duro” e “você é o primeiro a chegar e o último a sair todos os dias.”

Ao final fizemos uma roda e pedi que avaliassem o treinamento. Algumas fizeram suas considerações, quando o “apagado” pediu para falar. Perguntou se podia usar o microfone. Todos olharam para ele espantados. Ele se dirigiu a mim, pegou o microfone e emocionado disse: “eu quero agradecer a cada um de vocês. Não sei quem disse o que disse, mas este foi o dia mais feliz da minha vida. Pela primeira vez eu recebi um elogio! E o que vocês disseram é verdade. Eu trabalho duro e um dia eu esperava que reconheceriam isso. Eu chego cedo e vou embora tarde. E hoje sei que vocês notam isto e me elogiaram por isto”. Chorando, agradeceu a todos; todos vieram abraçá-lo.

Que não haja ninguém que você conviva que passe a vida sem receber um elogio seu.