Publicado 13 de Outubro de 2014 - 10h49

Renata Passos, especialista em coaching

AAN

Renata Passos, especialista em coaching

Que tal aproveitarmos este clima de dia das crianças para avaliarmos nossa maturidade emocional?

 

O tema parece denso, mas pode ser bem leve... Vem comigo?

Quando somos bebê, nossas vontades prevalecem a qualquer hábito ou rotina pré-estabelecidos.

 

Por melhores rotinas instaladas por mães mais experientes ou babás profissionais, as vontades podem até não dominar, mas irão quase que comandar o bebê.

Com baixa ou nenhuma tolerância ao desconforto, ele chora, grita, reclama de alguma forma , quando algo não está bem.

 

Quando crescemos passamos a usufruir de uma espécie de comando sobre nossas vontades. Mesmo com fome esperamos a hora do lanche, com sono seguramos mais um pouquinho até o final da festa, ou seja, aprendemos a hora de cada coisa.

 

Mais maduros ainda, aprendemos onde e quando poderemos manifestar nossas vontades e desejos mais intensos.

 

Com o passar do tempo, as regras e condutas sociais se bem internalizadas, nos ajudam a controlar nossas vontades e honrar nossos compromissos.

 

Vamos à escola mesmo com sono; comemos algumas verduras mesmo sem gostar, participamos de projetos e campanhas na escola, que naquele momento, podem até não fazer o menor sentido para nós.

 

Aprendemos a viver em grupo e em sociedade assim, colocando nossos compromissos ACIMA de nossas vontades.

 

Acontece que a vida passa e algumas vezes perdemos a noção do que é compromisso ou o que deve ser feito só se tivermos vontade.

 

Por exemplo: alimentamos-nos bem, pois é nosso compromisso em ter uma vida saudável e prevenir doenças ou só quando temos vontade?

 

Seguimos uma rotina de exercícios como compromisso com nosso corpo, com nossa família- afinal são eles que também sofrem quando adoecemos- ou os fazemos só quando gostamos do lugar, da atividade e quando estamos afim?

 

Investimos tempo para alimentar nosso espírito de maneira disciplinada e consistente ou só quando temos vontade, cerimônia especial ou uma grande necessidade?

 

Cuidamos de nossos relacionamentos amorosos e de amizade o tempo todo ou só

quando "sentimos" que algo não esta bem ou quando estamos com saudade do amigo?

 

Muitas vezes nos tornamos adultos por fora e crianças por dentro.

 

Não falo no sentido de divertir-se e de levar a vida mais leve- mas de viver pelas vontades!

Nós não somos de confiança e não podemos nos deixar guiar por nossas emoções e vontades. Elas não são boas condutoras!

 

Pela manhã podemos sentir algo que nem lembramos a noite de tão bom que foi o dia!

 

A emoção e a vontade são fundamentais para nossa saúde emocional, mas não podem conduzir nossa vida.

 

São a cereja do bolo, mas já imaginou um bolo só de cerejas?

 

Amadurecemos quando vivemos baseados no que sabemos no que cremos e no decidimos acreditar- e fazer- com nossas vidas.

 

Independente de ter vontade de fazer aquilo ou não.

 

Às vezes tenho que ser firme e falar não para as meninas.

 

Essa era a minha vontade?

 

Claro que não! Mas tenho que lembrar que meu compromisso é educá-las e não satisfazer minhas vontades.

Quem tem filhos sabe que muitas vezes, o não dói mais em nós, do que para eles.

 

Essa é a lógica de um adulto emocionalmente saudável para tomar decisões.

 

O compromisso acima de nossas vontades.

 

Mas ele só esta acima de nossas vontades e emoções quando sabemos o objetivo de nosso compromisso.

Do contrário, seguimos fazendo aquele monte de lista de objetivos e prazos e deixando no canto da gaveta.

 

E seguimos a vida com peso e a responsabilidade de um adulto e com a vontade de uma criança!

 

Simples assim, só isso e o compromisso deixa a vida mais leve....