Publicado 14 de Outubro de 2014 - 11h41

Por Gazeta de Piracicaba

Hamilton Bonilha: ?O paciente e as pessoas que estiveram em contato com ele precisam ser isolados e monitorados?

Del Rodrigues/ AAN

Hamilton Bonilha: ?O paciente e as pessoas que estiveram em contato com ele precisam ser isolados e monitorados?

A ameaça do vírus Ebola chegar ao Brasil é real e, conforme o médico infectologista de Piracicaba, Hamilton Bonilha, as unidades de saúde local estão preparadas para fazer o isolamento de pacientes suspeitos de estarem com a doença, mas não contam com as roupas especiais para manipular essas pessoas.

 

Os pacientes suspeitos devem ser encaminhados ao hospital Emílio Ribas, em São Paulo. "Nenhum exame, nesses casos suspeitos de Ebola, deve ser feito pelos profissionais de saúde. O risco de contaminação é muito alto. O paciente e as pessoas que estiveram em contato com ele precisam ser isolados e monitorados, como aconteceu na cidade de Cascavel, no Paraná".

Bonilha acredita que não deverá ocorrer uma epidemia, porque diferente de outros tipos de vírus, o Ebola só é transmitido pelo contato com as secreções, como saliva, vômito e pelo sangue. "A Sociedade Brasileira de Infectologia tem mandado comunicados constantes de orientação aos profissionais de saúde. Nunca tivemos o Ebola no Brasil", comentou.

A epidemia na África, principalmente nos três países mais atingidos, Serra Leoa, Guiné e Libéria, ocorre por causa dos hábitos das pessoas. "Lá não há hospitais e as pessoas doentes ficam em casa. São os parentes que cuidam delas e acabam tendo contato com as secreções e se contaminam".

A mortalidade da doença é alta porque o quadro evolui para hemorragia. "O vírus demora a se manifestar. São de dois a 21 dias para os primeiros sintomas ocorrerem, como febre alta, problemas respiratórios, vômitos e hemorragia. No sexto dia das manifestações dos sintomas o paciente deve começar a reagir contra a infecção", afirmou.

O tratamento é feito com hidratação e suporte para aliviar os sintomas. "O Ebola acomete de forma mais grave as pessoas que estão com baixa imunidade. Um indivíduo saudável tem mais chance de sobreviver à contaminação por esse vírus, que surgiu do contato com os macacos. Esses animais e outros silvestres são hospedeiros desse e de outros vírus, mas eles não ficam doentes. No entanto, eles podem transmitir esses vírus aos seres humanos. Foi assim com o HIV (vírus da Aids)", comentou o médico.

Segundo Bonilha, já existem vacinas em testes e medicamentos sendo avaliados em caráter experimental para combater o Ebola. Ele acredita que, em pouco tempo, deverá ser lançada uma vacina que vai prevenir a doença.

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