Publicado 10 de Outubro de 2014 - 9h24

Por Agência Estado

Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras; o doleiro Alberto Youssef: acordo de delação premiada com o MPF

Agência Brasil/ Cedoc/ RAC

Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras; o doleiro Alberto Youssef: acordo de delação premiada com o MPF

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou à Justiça Federal que pagou propinas a três partidos políticos “grandes”, PT, PMDB e PP. Tanto o ex-executivo quanto o doleiro Alberto Yousseff disseram ter participado de amplo esquema de loteamento político de diretorias da estatal. Segundo eles, as propinas variavam de 1% a 3% do valor dos contratos, “muitos bilhões de reais”, e serviram de caixa 2 em 2010.

Costa e Youssef afirmaram que desde 2004 cinco diretorias da Petrobras foram divididas entre as três legendas para cobrança de propina de empresas em troca de grandes contratos, “com conhecimento do loteamento político tanto da presidência da companhia como do presidente da República”.

O PT controlava três diretorias: Serviços e Engenharia; Gás e Energia; e Produção e Exploração. “Na diretoria de Serviços todos sabiam que tinha um porcentual desses contratos da área de Abastecimento”, disse Costa, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) em troca de redução de pena, a exemplo de Youssef.

“Dos 3%, 2% eram para atender o PT”, afirmou o ex-diretor da Petrobras. Segundo ele, “outras diretorias, como Gás e Energia e Exploração e Produção, também eram do PT”. “Nesses casos, os 3% eram para o PT, não tinha participação do PP.”

O PMDB, segundo Costa, controlava a diretoria Internacional, então sob comando de Nestor Cerveró, citado na polêmica compra da refinaria de Pasadena (EUA). “Dentro da diretoria Internacional era o Nestor Cerveró quem foi indicado por um político e tinha ligação muito forte com o PMDB.”

Youssef e o ex-diretor da estatal apontaram Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, como operador desse esquema agindo pelo PMDB. Eles detalharam como era o esquema de cobrança de propina de grandes empreiteiras que alimentou o caixa 2 do PP, do PT e do PMDB. “O contrato é um só, uma obra da Camargo Corrêa, R$ 3,4 bilhões. Ela tinha que pagar R$ 34 milhões por aquela obra para o PP. Tinha que pagar mais 1%, ou 2% como Paulo Roberto está dizendo, para outro operador, no caso João Vaccari”, contou o doleiro.

Segundo eles, a área de Abastecimento era cota do PP. O doleiro afirmou que ocorriam reuniões na casa de políticos onde eram feitas atas sobre o esquema de caixa 2 que irrigou campanhas de 2010. “Fazíamos reuniões em hotéis, no Rio ou em São Paulo, ou na própria casa do agente político”, revelou.

O doleiro afirmou que diariamente se reunia com Costa e agentes políticos. “Eu não fui o criador dessa organização. Fui a engrenagem para que se pudesse haver o recebimento e os pagamentos aos agentes públicos.”

Youssef afirmou que na diretoria de Abastecimento o valor cobrado era de 1%. “Sempre se teve um entendimento que a diretoria de Abastecimento era 1%. Se a Engenharia cobrava mais que 1%, é novidade”. Ele disse que tanto José Eduardo Dutra, então presidente da Petrobras, em 2004, como seu sucessor, Sérgio Gabrielli, “sabiam do loteamento político da estatal”. 

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