Publicado 08 de Outubro de 2014 - 18h10

Por France Press

Cinco aeroportos americanos começarão a verificar a temperatura dos passageiros provenientes do oeste da África, uma medida adotada pelos Estados Unidos para intensificar sua resposta à epidemia mortal da febre hemorrágica - informaram fontes oficiais nesta quarta-feira (8).

"A grande maioria das pessoas" vinda de Guiné, Libéria e Serra Leoa - os três países mais afetados pela epidemia - será examinada, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.

Os aeroportos que implementarão as medidas são os internacionais John F. Kennedy, de Nova York; Dulles, em Washington; O'Hare, em Chicago; Hartsfield-Jackson, em Atlanta; e Newark Liberty, em Nova Jersey.

Os controles começarão no sábado, no aeroporto internacional John F. Kennedy (JFK) de Nova York e, na próxima semana, nos outros quatro.

Juntos, os cinco aeroportos são o destino de 94% das pessoas que viajam para os Estados Unidos procedentes dos três países mais afetados pela epidemia.

"A coisa mais importante para as pessoas compreenderem é que nós temos muita confiança nas medidas de triagem que já estavam sendo adotadas há algum tempo", explicou Earnest.

O anúncio foi feito horas depois da notícia do falecimento da primeira pessoa diagnosticada com Ebola nos Estados Unidos, a primeira fora do continente africano, em um hospital do Texas.

Thomas Eric Duncan, um cidadão liberiano, viajou em setembro da Libéria para o Texas para visitar a família.

A epidemia de Ebola já matou quase 3.900 pessoas em Guiné, Libéria, Nigéria, Senegal e Serra Leoa desde o início do ano.

Segundo especialistas, o vírus se espalha através do contato direto com os fluidos corporais da pessoa infectada, ou ao tocar o cadáver de uma pessoa que morreu de Ebola.

Seguem alguns dados, fornecidos pela Casa Branca e pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs, na sigla em inglês), que enviarão funcionários aos aeroportos com este objetivo.

Quem será submetido aos controles?

Passageiros provenientes de Guiné, Libéria e Serra Leoa, países afetados pelo Ebola, mesmo que já tenham sido examinados ao sair de seus países.

Como será o protocolo de controle?

Serão escoltados por agentes de fronteira e de alfândega para uma área dentro do aeroporto, acondicionada para os exames.

Funcionários treinados buscarão sinais da doença, com controle da temperatura, além de fazer perguntas e dar conselhos que devem ser seguidos no caso de eventuais sintomas.

Se um passageiro apresentar sintomas de febre, ou admitir a possibilidade de ter sido exposto ao Ebola, será avaliado por um membro dos CDCs, que voltará a verificar sua temperatura e fará uma avaliação mais profunda.

Se for necessário, o viajante será levado a um centro de saúde apropriado.

Por que a medida foi adotada?

As autoridades de saúde pública estão preocupadas com o risco de a epidemia cruzar os oceanos, particularmente após a morte, nesta quarta-feira, no Texas, do primeiro paciente diagnosticado com Ebola fora da África.

"Os controles de entrada são parte de um processo que inclui controles de saída e práticas normais de saúde pública, tais como o isolamento de pacientes e o acompanhamento em países onde foram detectados surtos de Ebola", informaram os CDCs e o Departamento de Segurança Doméstica dos EUA.

Estatisticamente, o trânsito entre Estados Unidos e África é relativamente baixo. Nos primeiros seis meses do ano, entraram 214 mil visitantes de todo o continente africano, em comparação com os 4,5 milhões procedentes da Ásia.

 

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