Publicado 14 de Outubro de 2014 - 19h36

Por Carlo Carcani

O jornalista Carlo Carcani Filho

Ércia Dezonne/AAN

O jornalista Carlo Carcani Filho

Neymar deu, nesta terça-feira, em Cingapura mais uma demonstração de seu enorme talento. Não há outro jogador que represente como ele a tradição da Seleção Brasileira. Tradição de futebol bonito, ousado e alegre. Tradição que encantou o mundo.

 

Mas foi “só” um amistoso. Verdade. E o adversário foi “só” o Japão. Verdade também. Assim como é verdade que, além de Neymar, “só” Ademir de Menezes, Zizinho, Evaristo de Macedo, Julinho Botelho, Careca, Romário e Zico conseguiram marcar quatro gols (ou cinco, no caso do recordista Evaristo) num jogo com a camisa da Seleção Brasileira. E nenhum deles conseguiu fazer isso com 22 anos. “Só” 22 anos.

 

Também é verdade que Neymar sobe na lista de artilheiros da Seleção Brasileira com uma velocidade espantosa. Nesta terça, diversos veículos o colocaram em posições diferentes no ranking. Disseram que é o 8º, o 7º e o 5º maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. Boa oportunidade para a CBF disponibilizar em seu site oficial estatísticas sobre a Seleção Brasileira. Isso, claro, se alguém lá se preocupar com esses números.

 

Independentemente da posição que ocupa no momento, podemos concluir que a briga de Neymar será “só” com Pelé. Afinal, se com 56 jogos e 22 anos ele já marcou 40 gols, não deve demorar muito para chegar aos 62 gols que Ronaldo marcou em 98 partidas.

 

A marca do Fenômeno poderia ter sido muito maior se ele levasse a carreira a sério até o fim. Mas ele perdeu muito cedo a disposição para treinar, ganhou peso e encerrou a carreira antes do que poderia.

 

Neymar, pelo menos até o momento, não dá sinais de que possa vir a cometer os mesmos erros. É um astro internacional, cercado por inúmeras tentações, mas nunca deixou de treinar, pelo contrário. Segundo Muricy Ramalho, ele aparecia para treinar até nos dias seguintes aos jogos do Santos, quando poderia descansar. E, coincidência ou não, foi o último a sair de campo num treino a que assisti no CT Rei Pelé, em 2012. Ficou treinando faltas e pênaltis.

 

A Seleção não apresenta, no momento, esse futebol bonito, ofensivo e eficiente que caracteriza a sua história. Dunga obteve quatro vitórias seguidas em seu bom início de trabalho, sem levar um gol sequer. Mas o que esperamos dele é uma Seleção Brasileira com futebol competitivo e eficiente. Contra a Argentina, jogou no contra-ataque. E fez por merecer a vitória que conquistou. Creio que será assim contra todas seleções mais fortes. E também creio que ele alcançará vários objetivos jogando assim.

 

Mas futebol alegre e bonito, que honre a tradição da Seleção Brasileira que era admirada no mundo todo, “só” Neymar.

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Carlo Carcani