Publicado 13 de Outubro de 2014 - 22h49

Por Zeza Amaral

ZEZA

CEDOC

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Os jardineiros dos gramados do sudeste estão preocupados. Falta água de chuva e as nascentes quase estão mortas em seus olhos d'água. Falta muita coisa no futebol, além da água para irrigar os gramados. Falta vergonha na cara de cartolas federais que se alimentam politicamente no coxo da Federação Internacional de Futebol Associado, a Fifa, uma corruptela que nem precisa de maiores explicações, pois uma sigla que bem dá o sentido de tudo o que há de errado no mercado do futebol.

 

Meninos com menos de quinze anos já estão mercadejados como se fossem os novos escravos do século vinte e um. Valem o ouro que ainda não foi descoberto e um latão qualquer quando apenas são meninos que sonham com um futuro de belas mulheres, carros de luxo e sucesso em propaganda. Ninguém se importa com os meninos boleiros que foram ilusionados por empresários e que agora têm de curtir a vida comum dos torcedores, sem luxos, além do duro cimento das arquibancadas futuras, do aquilo que deveria ter sido: um craque dos estádios! Afinal, nem tudo dá certo na roleta do futebol.

 

Neymar é um boleiro que deu certo e está aí jogando no futebol europeu. Na última Copa do Mundo, aqui no Brasil, jogou medianamente algumas partidas e foi alijado do campeonato por conta de uma contusão causada por um desastrado adversário.

 

Melhor para ele: escapou dos sete a um. No Barcelona, ele recuperou a condição física e segue a vida profissional com a mesma competência. Mas a sua imagem já segue cansativa no meio publicitário, quase o mais do mesmo, visto que a fila das celebridades sempre anda.

 

E entre anticaspas, desodorantes e outros cosméticos, o futebol segue fazendo um torcedor pagar 50 reais por um ingresso, 10 reais por um cachorro quente, 5 reais por uma água e o iludindo por um gol bonito que nunca acontece.

 

Acompanhei São Paulo e Atlético Mineiro e quase todos os escanteios, de ambos os lados, foram chutados na altura do joelho dos zagueiros. Faltas próximas à área tiveram a mesma performance. São boleiros que ganham mensalmente o que a maioria dos torcedores não ganhariam em trinta anos de trabalho. E eles estão lá, os torcedores, aguardando um passe bem-feito, um único que fosse capaz de fazer valer a pena a bunda calejada no cimento da arquibancada.

 

Melhor levar uma almofada para o campo. Ou dormir no sofá.

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Zeza Amaral